Petróleo sobe, mas fica abaixo de US$ 100 com fim da guerra no radar
Em entrevista a uma emissora de TV que será exibida nesta quarta, Trump afirmou que o conflito com os iranianos estaria “perto do fim”
atualizado
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Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir, nesta quarta-feira (15/4), mas operavam abaixo dos US$ 100 após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falando abertamente sobre a possibilidade de encerrar a guerra contra o Irã no Oriente Médio.
Em entrevista a uma emissora de TV que será exibida nesta quarta, Trump afirmou que o conflito com os iranianos estaria “perto do fim”. No início da semana, o líder norte-americano anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, aumentando ainda mais a tensão e as incertezas na região.
Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
O que aconteceu
- Por volta das 8h15 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 1,42% e era negociado a US$ 92,58.
- No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia de 1,36%, a US$ 96,08.
- No dia anterior, o barril do petróleo WTI fechou em forte queda de 7,87%, a US$ 91,28, enquanto o brent recuou 4,6%, a US$ 94,79.
Guerra está “muito perto do fim”, diz Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra contra o Irã está “muito perto” do fim. “Acho que está perto do fim, sim. Vejo que está muito perto de terminar”, disse Trump à Fox Business, em entrevista que será exibida nesta quarta-feira.
O líder norte-americano ressaltou, contudo, que o conflito ainda não terminou. “Se eu desistisse agora, eles levariam 20 anos para reconstruir aquele país. E ainda não terminamos. Veremos o que acontece. Acho que eles querem muito fechar um acordo.”
A expectativa é que as negociações entre EUA e Irã sejam retomadas na quinta-feira (16/4), após a tentativa de acordo frustrada no fim de semana no Paquistão. O impasse é em relação ao programa nuclear iraniano. Sem acordo, Trump ordenou o fechamento total do Estreito de Ormuz.
De acordo com o The New York Times, o Irã ofereceu suspender o programa por cinco anos, mas a proposta não foi aceita pelos EUA, que pedem a paralisação por 20 anos.
Na última segunda-feira (13/4), o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que lidera a comitiva norte-americana, disse que cabe ao Irã o próximo passo para um acordo de paz. Segundo ele, as negociações “apresentaram algum progresso” em relação ao programa nuclear iraniano.
Irã estima prejuízo bilionário
O governo do Irã estima que os prejuízos causados pela guerra com EUA e Israel já chegam a cerca de US$ 270 bilhões, após 45 dias de confrontos. O valor foi divulgado nessa terça-feira (14/4) pela agência oficial iraniana Tasnim.
Segundo a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, o valor ainda não é definitivo. Ela explicou que esse tipo de levantamento costuma ser feito em diferentes etapas, o que pode alterar a estimativa final dos danos.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel realizaram bombardeios em mais de 130 cidades iranianas, atingindo alvos militares e nucleares. Entre os mortos, está o líder supremo do país, Ali Khamenei.
Em resposta, o Irã lançou ataques contra bases americanas e aliados na região, incluindo países como Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
De acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho do Irã, mais de 125 mil estruturas foram destruídas ou gravemente danificadas em ataques aéreos em regiões residenciais.
O governo iraniano afirmou ainda que discute a possibilidade de reparações de guerra nas negociações diplomáticas. O tema foi tratado por representantes iranianos e norte-americanos em conversas mediadas pelo Paquistão, realizadas no último sábado (11/4), em Islamabad.
