Para economistas, mudança na Câmara tira credibilidade do marco fiscal
Especialistas dizem que elevação dos gastos do governo em até R$ 80 bilhões em dois anos vai comprometer a queda dos juros
atualizado
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O economista Mauro Rochlin, professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), classificou como “péssimas” as mudanças feitas no arcabouço fiscal pelo relator da proposta na Câmara, Cláudio Cajado (PP-BA). Elas permitirão ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gastos adicionais estimados em R$ 80 bilhões nos próximos dois anos.
“Mais importante que o arcabouço é a disposição de cumpri-lo, mostrar que não se trata de uma carta de intenções, mas de um planejamento que vai nortear a política fiscal do governo”, diz Rochlin. “Se logo de saída surgem artifícios, mudanças para aumentar despesas, o que esperar da credibilidade da proposta?”
Para Rochlin, um projeto que “começa cheio de truques” não vai trazer essa credibilidade. “E não é isso que vai criar um ambiente capaz de empurrar as taxas de juros para baixo e favorecer o desenvolvimento do país”, afirma.
O economista e consultor Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC), observa que, com a mudança, independentemente do comportamento da receita, os gastos podem crescer 2,5% em 2024 sobre 2023, que já acumula despesas extraordinárias, definidas na PEC da Transição.
“Essa mudança só mostra qual é a essência da história do arcabouço fiscal”, diz Schwartsman. “Há um aumento de gastos hoje, em troca de uma promessa futura de disciplina fiscal. Acredite quem quiser. Eu não acredito.” Para ele, a alteração compromete “ainda mais” a busca de superávits fiscais nos próximo anos.
