Marisa: auditor vê risco de continuidade do negócio após prejuízo
Varejista registrou perdas de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo lucro de R$ 2,3 milhões no mesmo período de 2025
atualizado
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A Marisa Lojas, uma das maiores varejistas de moda feminina no Brasil, registrou um prejuízo líquido de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre de 2026. O número representou uma reversão do lucro de R$ 2,3 milhões, observado no primeiro trimestre de 2025.
Além das perdas, a auditoria independente BDO aprovou as contas da empresa, mas com ressalvas. O ponto de observação diz respeito à ausência de provisões para uma contingência tributária. Os auditores também destacaram a existência de incertezas relevantes sobre a capacidade de a companhia se manter em operação.
Segundo o parecer emitido pela BDO, o principal ponto de divergência envolve a controlada indireta M Serviços, antiga M Cartões, que enfrenta processos administrativos e judiciais referentes à cobrança de imposto de renda e contribuição social por suposta omissão de receitas em 2011 e 2012.
A administração da Marisa classificou o risco de perda como “possível” e, com base nessa definição, optou por não contabilizar o passivo. Em nota, a empresa informou que a ressalva mencionada no relatório dos auditores independentes, “relacionada a determinadas contingências tributárias, não representa fato novo e já vinha sendo divulgada em períodos anteriores”.
Análise da CVM
A varejista acrescenta que, “sobre o tema, a CVM analisou a matéria e acolheu o recurso da companhia, afastando a necessidade de reapresentação das demonstrações financeiras”.
“A administração mantém seu entendimento técnico de que não é necessário o reconhecimento de provisão para essas contingências, alinhado ao parecer da CVM, órgão regulador do mercado de capitais”, afirma o comunicado. “A Marisa reafirma que as demonstrações financeiras refletem adequadamente a posição patrimonial e financeira da companhia, em conformidade com as normas contábeis aplicáveis no Brasil.”
Risco de continuidade
Em relação ao risco de continuidade operacional da varejista, diz a nota do auditor: “A companhia incorreu em prejuízo de R$ 95,8 milhões no período de três meses findo em 31 de março de 2026, bem como o passivo circulante excedeu o total do ativo circulante em R$ 446.439 mil nas demonstrações contábeis individuais e R$ 441.304 mil nas demonstrações contábeis consolidadas”.
Com base nesses dados, segue a nota: “A administração está implementando ações para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro e a posição patrimonial da companhia e suas controladas. Esses eventos ou condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia e suas controladas”.
Números do balanço
De acordo com o balanço, entre janeiro e março deste ano, a receita líquida da Marisa Lojas totalizou R$ 286,5 milhões, queda anual de 3,8%. O Ebitda (o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 28,6 milhões, com baixa de 66,9% sobre 2025.
A Marisa, no entanto, anotou um crescimento de 22% nos canais digitais, impulsionado pela expansão dos canais de venda, novas parcerias comerciais e ampliação do sortimento via modelo 3P (marketplace com participação de terceiros).
A empresa encerrou março com dívida líquida de R$ 336,8 milhões, ante R$ 277,3 milhões no fim de 2025. A alavancagem medida por dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses subiu de 0,8 vez para 1,3 vez. Para a companhia, o nível “segue compatível com o planejamento estratégico e sob acompanhamento rigoroso”.
