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Indústria segue “patinando” e amarga queda na produção em maio

Em relação ao mesmo período do ano passado, a produção da indústria brasileira teve crescimento de 3,3%, segundo dados do IBGE

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A produção industrial brasileira registrou queda em maio deste ano, na comparação com abril, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (2/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O que aconteceu

  • Em maio, segundo o levantamento, a produção industrial do país recuou 0,5%, na comparação mensal, na série com ajuste sazonal.
  • Em relação ao mesmo período do ano passado, o setor teve crescimento de 3,3%.
  • No acumulado de 2025 até maio, a produção industrial teve alta de 1,8%.
  • No período de 12 meses até maio, o aumento na produção foi de 2,8%.
  • Na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral registrou alta de 0,2% no período de três meses encerrado em maio deste ano, na comparação com o mês anterior.

Divisão por categorias

De acordo com os dados do IBGE, três das quatro grandes categorias econômicas e 13 dos 25 segmentos industriais pesquisados tiveram queda em maio.

Entre as atividades monitoradas, os resultados negativos mais importantes foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,9%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,8%).

Também houve perdas nos setores de produtos alimentícios (-0,8%), de produtos de metal (-2,0%), de bebidas (-1,8%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-1,7%) e de móveis (-2,6%).

Por outro lado, entre as 11 atividades que registraram crescimento, o maior impacto positivo veio das indústrias extrativas (0,8%), na quarta alta consecutiva.

Outros resultados positivos relevantes foram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (3%), de produtos de borracha e de material plástico (1,6%), de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (3,2%) e de produtos químicos (0,6%).

Já entre as grandes categorias econômicas, na comparação com o mês anterior, bens de consumo duráveis (-2,9%) e bens de capital (-2,1%) tiveram os resultados negativos mais significativos em maio. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis (-1%) também caiu.

A exceção positiva ficou com o segmento de bens intermediários (0,1%), no quarto mês seguido de alta na produção.

Repercussão

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado da produção industrial em maio “indica continuidade da tendência de desaceleração do setor industrial”. “Já são dois meses consecutivos de queda, após o resultado de abril ter sido revisto para baixo, saindo de alta de 0,1% para recuo de 0,2%. No segundo trimestre, o setor acumula perda de 0,7%, o que sugere uma contribuição negativa da indústria para o PIB”, afirma.

“Esperamos continuidade da tendência de desaceleração do setor para o restante do ano. Projetamos que a produção industrial irá avançar 1,2% em 2025, perdendo força nos próximos meses à medida que as condições financeiras mais restritas sejam cada vez mais sentidas no setor”, completa Valério.

Para Igor Cadilhac, economista do PicPay, a produção industrial deve fechar este ano com alta de 2%. “Apesar dos desafios impostos pela desaceleração da economia global e pelo prolongado período de juros elevados, acreditamos que a retração será moderada. Fatores como uma balança comercial sólida e políticas governamentais de estímulo à atividade econômica devem contribuir para mitigar os impactos negativos sobre o setor”, avalia.

O economista Maykon Douglas, por sua vez, observa que “a indústria nacional reverteu até aqui parte da expansão de 1,5% registrada no início do ano”. “A leitura de maio foi pior que a de abril, tanto em número quanto em composição. Naquele mês, as quedas haviam sido menos disseminadas”, explica.

“É uma leitura que reforça a desaceleração da atividade doméstica esperada ao longo do ano, dado o impacto da política monetária e passado o efeito do agro forte no primeiro trimestre. No caso da indústria, é esperado que esse processo penalize mais a produção de bens de consumo, mais sensíveis às condições de crédito”, aponta.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirma que “a perspectiva para 2025 é de desaceleração da atividade industrial”. “O setor, altamente sensível aos juros, tem sido impactado pelo forte aperto monetário e pela continuidade das condições financeiras restritivas, o que pode influenciar o custo dos novos financiamentos. Esse cenário é especialmente desafiador para a indústria de transformação, que é mais vulnerável aos juros elevados do que outros segmentos da economia, menos sensíveis ao ciclo de aperto monetário”, diz a entidade.

“A atividade industrial enfrenta desafios adicionais diante de um cenário externo instável, que se soma aos efeitos de uma política monetária contracionista. Além da imposição de tarifas, o setor pode ser impactado pela redução da demanda global, resultado da desaceleração do crescimento mundial. A elevada incerteza geopolítica também pode inibir os investimentos – tanto financeiros quanto produtivos –, ampliando as dificuldades para o desempenho industrial”, afirma a Fiesp.

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