Governo da Argentina apela ao FMI para adiar pagamentos
Argentina teria de pagar ao FMI US$ 2,7 bilhões nesta semana, correspondentes ao empréstimo de US$ 44 bilhões concedidos pelo fundo ao país

O governo do presidente Alberto Fernández, da Argentina, pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) o adiamento, para o dia 30 de junho, dos pagamentos de vencimentos da dívida que estavam programados para esta semana. As informações foram veiculadas pela imprensa argentina nesta sexta-feira (23/6).
A Argentina teria de pagar ao FMI US$ 2,7 bilhões nesta semana, correspondentes ao empréstimo de US$ 44 bilhões concedidos pelo fundo ao país.
Segundo o ministro da Economia, Sergio Massa, o governo não conseguiu cumprir as metas de acumulação de reservas e diminuição do déficit fiscal por causa da forte seca no país, que afetou as exportações do setor agrícola.

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Frequência de envio: Diário
Ver todas“As autoridades exerceram seu direito de agrupar dois pagamentos com vencimento em junho e pagá-los no fim do mês”, afirmaram fontes do FMI à rede argentina TN.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNos últimos meses, o governo Fernández vem negociando com o FMI o refinanciamento de pagamentos e a antecipação dos desembolsos previstos no atual programa de crédito. O objetivo era que o órgão liberasse pelo menos US$ 10 bilhões e modificasse as metas firmadas até então, aliviando algumas obrigações da Argentina.
Segundo informações da agência de notícias France-Presse, o Brasil e mais cinco países – Bolívia, Chile, Colômbia, México e Paraguai – pediram ao governo dos Estados Unidos que apoiasse a Argentina nas negociações com o FMI.
Empenho do Brasil para ajudar o vizinho
O empenho do Brasil nas negociações entre Argentina e FMI, retratado em reportagem do Metrópoles publicada no início de maio, se explica tanto por razões econômicas quanto políticas. O país é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e EUA. Em 2022, o Brasil teve um saldo positivo de US$ 2,2 bilhões na balança comercial com os argentinos.
“Além de ser um grande parceiro comercial, para onde escoa boa parte das nossas importações de produtos manufaturados de alta complexidade, a Argentina é um parceiro estratégico no abastecimento de alimentos. É um dos principais produtores de trigo do mundo, além de uma gama de produtos minerais”, afirma André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online.
A Argentina é a maior exportadora mundial de soja processada e a terceira maior exportadora de milho do mundo. Também é fornecedora de carne bovina e trigo. Os itens agropecuários corresponderam a 38% das exportações do país no ano passado.
Além da preocupação econômica, o governo brasileiro entende que interceder pela Argentina junto ao FMI cacifa o país a consolidar, perante o mundo, sua posição de líder do continente.



