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Negócios

Governo da Argentina apela ao FMI para adiar pagamentos

Argentina teria de pagar ao FMI US$ 2,7 bilhões nesta semana, correspondentes ao empréstimo de US$ 44 bilhões concedidos pelo fundo ao país

23/06/2023 09:52, atualizado 23/06/2023 09:54
Fábio Vieira/Metrópoles
Presidente da Argentina, Alberto Fernández, fala com a imprensa após seu encontro com o ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT) no Hotel InterContinental, região central de São Paulo. Ele aparece de terno, cercado pela imprensa - Metrópoles

O governo do presidente Alberto Fernández, da Argentina, pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) o adiamento, para o dia 30 de junho, dos pagamentos de vencimentos da dívida que estavam programados para esta semana. As informações foram veiculadas pela imprensa argentina nesta sexta-feira (23/6).

A Argentina teria de pagar ao FMI US$ 2,7 bilhões nesta semana, correspondentes ao empréstimo de US$ 44 bilhões concedidos pelo fundo ao país.

Segundo o ministro da Economia, Sergio Massa, o governo não conseguiu cumprir as metas de acumulação de reservas e diminuição do déficit fiscal por causa da forte seca no país, que afetou as exportações do setor agrícola.

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“As autoridades exerceram seu direito de agrupar dois pagamentos com vencimento em junho e pagá-los no fim do mês”, afirmaram fontes do FMI à rede argentina TN.

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Nos últimos meses, o governo Fernández vem negociando com o FMI o refinanciamento de pagamentos e a antecipação dos desembolsos previstos no atual programa de crédito. O objetivo era que o órgão liberasse pelo menos US$ 10 bilhões e modificasse as metas firmadas até então, aliviando algumas obrigações da Argentina.

Segundo informações da agência de notícias France-Presse, o Brasil e mais cinco países – Bolívia, Chile, Colômbia, México e Paraguai – pediram ao governo dos Estados Unidos que apoiasse a Argentina nas negociações com o FMI.

Empenho do Brasil para ajudar o vizinho

O empenho do Brasil nas negociações entre Argentina e FMI, retratado em reportagem do Metrópoles publicada no início de maio, se explica tanto por razões econômicas quanto políticas. O país é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e EUA. Em 2022, o Brasil teve um saldo positivo de US$ 2,2 bilhões na balança comercial com os argentinos.

“Além de ser um grande parceiro comercial, para onde escoa boa parte das nossas importações de produtos manufaturados de alta complexidade, a Argentina é um parceiro estratégico no abastecimento de alimentos. É um dos principais produtores de trigo do mundo, além de uma gama de produtos minerais”, afirma André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online.

A Argentina é a maior exportadora mundial de soja processada e a terceira maior exportadora de milho do mundo. Também é fornecedora de carne bovina e trigo. Os itens agropecuários corresponderam a 38% das exportações do país no ano passado.

Além da preocupação econômica, o governo brasileiro entende que interceder pela Argentina junto ao FMI cacifa o país a consolidar, perante o mundo, sua posição de líder do continente.

“O Brasil quer assumir o papel de líder geopolítico da América Latina. Para isso, é importante construir mecanismos que ajudem a economia doméstica e os seus parceiros”, diz Galhardo. “É claro que a afinidade político-ideológica contribui para essa reaproximação. Mas o governo brasileiro precisa agir de forma pragmática. Precisa entender que, acima dos seus interesses ideológicos, estão os interesses dos empresários e das famílias brasileiras”, pondera o economista.