Dólar recua e Bolsa retoma 160 mil pontos com IPCA-15 e PIB dos EUA

Mercado também repercutiu cancelamento da entrevista de Jair Bolsonaro e recuperação das ações da Alpargatas, dona da Havaianas, após tombo

atualizado

metropoles.com

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Imagem de várias cédulas de dólar e real - Metrópoles
1 de 1 Imagem de várias cédulas de dólar e real - Metrópoles - Foto: Carol Smiljan/NurPhoto via Getty Images

Na última sessão antes da parada do mercado para o feriado de Natal, o dólar terminou esta terça-feira (23/12) em forte queda, um dia depois de ter fechado em alta e atingido a maior cotação dos últimos cinco meses.

Nesta terça, o mercado financeiro repercutiu os dados do IPCA-15, considerado a “prévia” da inflação oficial do país, e da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao terceiro trimestre deste ano, que veio acima das expectativas.


Dólar

  • A moeda norte-americana terminou a segunda sessão da semana em baixa de 0,95%, negociada a R$ 5,531.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,596. A mínima foi de R$ 5,53.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,99%, cotado a R$ 5,584, o maior valor desde o dia 30 de julho.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 3,71% em dezembro e perdas de 10,6% em 2025 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), fechou o pregão em alta firme.
  • O  indicador encerrou a sessão com ganhos de 1,46%, aos 160,4 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou o pregão em baixa de 0,21%, aos 158,1 mil pontos
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula alta de 0,88% no mês e valorização de 32,93% no ano.

Prévia da inflação no Brasil

No âmbito econômico, o principal destaque do dia na agenda brasileira foi a divulgação dos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a chamada “prévia” da inflação no país.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 ficou em 0,25% em dezembro, 0,05 ponto percentual acima do resultado de novembro (0,2%).

Com esse resultado, o IPCA-15 fecha o ano com alta de 4,41%. Em dezembro de 2024, a taxa foi de 0,34%.

No acumulado do trimestre, o indicador ficou em 0,63% para o período de outubro a dezembro, abaixo da taxa de 1,51% registrada em igual período do ano passado.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em dezembro. A maior variação e o maior impacto positivo vieram de transportes (0,69% e 0,14 ponto percentual).

O grupo artigos de residência (-0,64% e -0,02 p.p.) registrou a quarta redução consecutiva na média de preços. As demais variações ficaram entre o recuo de 0,01% de saúde e cuidados pessoais e o aumento de 0,69% em vestuário.

Mercado vê processo de “desinflação” consolidado

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “apesar da piora qualitativa, o resultado de dezembro aponta para a consolidação do processo de desinflação”. “Dadas as diferenças metodológicas, esperamos que o IPCA cheio venha ligeiramente melhor. A expectativa é de um primeiro trimestre de 2026 com inflação mais fraca, especialmente comparado ao 1° trimestre de 2025, o que permitirá uma desinflação mais acentuada no acumulado em 12 meses, abrindo espaço para o início dos cortes na Selic no 1° trimestre”, projeta.

“Ainda vemos como provável o início em janeiro, mas dada a cautela do Copom [Comitê de Política Monetária], não descartamos que o Banco Central opte por retardar o início para a reunião de março”, completa Valério.

O economista Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, afirma que o IPCA-15 de dezembro “veio em linha com o esperado pelo mercado, mostrando uma inflação ainda pressionada nos serviços, especialmente por itens como passagens aéreas, mas com sinais importantes de alívio em alimentação no domicílio e bens industriais”.

“O número reforça a leitura de que o processo de desinflação segue em andamento, embora de forma irregular e heterogênea. A inflação acumulada em 12 meses permanece dentro da banda da meta, mas ainda acima do centro, o que exige cautela”, observa.

“Para o mercado financeiro, o dado não altera de forma relevante o cenário-base de política monetária. O BCdeve manter uma postura prudente, aguardando evidências mais consistentes de desaceleração dos serviços antes de qualquer ajuste mais claro na trajetória dos juros. Um corte em janeiro ficou fora do radar”, avalia Spyer.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca que, apesar da forte presença de fatores sazonais, “a ausência de elementos que forneçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do IPCA, especialmente no caso dos preços de serviços, não altera o cenário prospectivo para inflação e a política monetária”.

“Nesse sentido, nossa projeção para o IPCA em 2025 segue em 4,4%, ainda dentro do limite superior estabelecido pelo Regime de Metas para Inflação (RMI), enquanto o início do ciclo de corte de juros tem como início o mês de março”, diz.

Bolsonaro cancela entrevista

Os investidores também seguem atentos ao noticiário político-eleitoral no Brasil, evidenciando a preocupação com a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.

Nas últimas semanas, desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi lançado informalmente como potencial candidato à Presidência da República com o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o mercado reagiu de forma negativa por entender que o nome do parlamentar não é o mais competitivo em uma eventual disputa contra Lula no ano que vem.

Amplos setores do mercado financeiro apostavam na escolha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o candidato da direita e da centro-direita contra o atual governo. Com Flávio no páreo, os investidores agora já precificam a saída de Tarcísio do jogo da sucessão presidencial e sua provável candidatura à reeleição para o governo paulista.

Ainda na seara política, o mercado aguardava com expectativa a primeira entrevista de Jair Bolsonaro (PL) desde que foi preso. O ex-presidente concederia entrevista exclusiva ao Metrópoles, nesta terça-feira, diretamente da carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde está preso desde 22 de novembro.

Seria a primeira vez que o político falaria à imprensa desde que lhe foram impostas medidas cautelares, em julho, e após começar a cumprir a pena de 27 anos e 3 meses de prisão depois de ser condenado pela trama golpista. A entrevista havia sido autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Em bilhete escrito à mão, Bolsonaro comunicou à coluna do jornalista Paulo Cappelli, do Metrópoles, que cancelou o encontro. “Informo que não concederei entrevista nesta data, por questões de saúde”, escreveu o ex-presidente.

A última vez que Bolsonaro falou à imprensa foi em 15 de julho. Três dias depois, Moraes impôs medidas cautelares a Bolsonaro – como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de postar conteúdo em redes sociais.

PIB dos EUA vem acima do esperado

No front internacional, o maior destaque desta terça-feira foi a divulgação dos dados do PIB dos EUA no terceiro trimestre.

A economia norte-americana avançou 4,3% no terceiro trimestre deste ano, segundo os dados do Departamento de Comércio.

O resultado veio bem acima das estimativas de analistas do mercado, que projetavam expansão de 3,3% no terceiro trimestre.

No segundo trimestre deste ano, o PIB dos EUA avançou 3,8%, na base anual (dado revisado). No primeiro trimestre, recuou 0,5%.

Esta é a primeira divulgação dos dados do PIB dos EUA desde o shutdown, a paralisação da máquina governamental do país, que durou mais de 40 dias e foi a maior da história.

Alpargatas se recupera após tombo milionário

No mercado de ações, um dos principais destaques do pregão foi a recuperação dos papéis da Alpargatas, dona da Havaianas, após perdas milionárias na sessão anterior.

No pregão de segunda-feira (22/12), em meio ao auge de uma campanha de boicote contra a Havaianas deflagrada por líderes políticos, ativistas e militantes de direita no Brasil, as ações da Alpargatas negociadas na B3 fecharam o pregão em queda, o que levou a uma perda milionária da companhia, em valor de mercado.

Ao final do primeiro pregão desta semana, as ações da Alpargatas recuaram 2,39%, cotadas a R$ 11,44.

Em um único dia, a empresa perdeu cerca de R$ 152 milhões em valor de mercado, de acordo com estimativas da Elos Ayta Consultoria.

O cenário mudou nesta terça-feira e, já na abertura do pregão, os papéis da Alpargatas esboçaram uma reação. Por volta das 10h20 (pelo horário de Brasília), a ação da companhia subia 1,4%, negociada a R$ 11,60.

A reação da Alpargatas na Bolsa foi se consolidando durante o pregão. Às 14h35, os papéis da dona da Havaianas registravam valorização de quase 3% (2,97%), a R$ 11,78. Na reta final da sessão, por volta das 16h40, a ação avançava 3,5%, a R$ 11,84.

O ataque à Havaianas foi deflagrado ainda no domingo (21/12), em um vídeo publicado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), direto dos Estados Unidos, onde mora desde fevereiro.

No vídeo, Eduardo critica duramente uma peça publicitária da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, na qual ela afirma que não desejava que as pessoas começassem o ano “com o pé direito”. No comercial, a atriz diz que prefere que os brasileiros iniciem 2026 “com os dois pés”.

A mensagem foi interpretada por Eduardo Bolsonaro e diversas lideranças políticas conservadoras como uma provocação política, com o intuito de desqualificar a direita e até mesmo de fazer propaganda subliminar em favor da esquerda. Em 2026, em meio a um clima político de forte polarização, o Brasil terá eleições presidenciais.

No vídeo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece jogando um par de chinelos da Havaianas no lixo, em represália pelo que julgou ser uma propaganda política contra o campo conservador no Brasil.

Além de Eduardo, outros políticos de direita se manifestaram nas redes sociais contra a propaganda da Havaianas, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

Análise

Segundo a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, o real e o Ibovespa tiveram um dia de forte alta após o estresse da sessão anterior, “sustentados pelo dado de inflação benigno divulgado pela manhã, indicando um IPCA abaixo do teto da meta do BC para 2025, em 4,4%”.

“Preços controlados podem abrir espaço para cortes nas taxas de juros mais cedo que o esperado no Brasil, o que seria benéfico para ativos de risco no mercado doméstico”, observa.

No cenário global, diz Zogbi, “o PIB norte-americano subiu mais que o esperado no terceiro trimestre, com crescimento anualizado de 4,3%, bem acima da expectativa de 3%, mostrando consistência da maior economia do mundo, o que ajuda a alimentar o apetite a risco”.

“O dado é menos confiável que o usual, por causa das dificuldades de coleta e análise durante o período de shutdown do governo dos EUA, mas desafia a expectativa de cortes contundentes da taxa de juros”, conclui.

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