Dólar sobe e Ibovespa oscila com inflação nos EUA, balanços e tarifaço
Na véspera, o dólar subiu 0,27%, terminando a sessão cotado a R$ 5,40. Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 0,89%, aos 136,6 mil pontos
atualizado
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O dólar operava em alta na tarde desta quinta-feira (14/8), um dia depois do anúncio, por parte do governo federal, de um pacote com medidas de socorro aos setores mais atingidos pelo tarifaço comercial imposto pelos Estados Unidos a grande parte das exportações brasileiras aos norte-americanos.
Os investidores também repercutem e monitoram dados da temporada de balanços corporativos envolvendo algumas das maiores empresas do país. No cenário internacional, o destaque fica por conta da divulgação de dados da inflação ao produtor e pedidos de seguro-desemprego nos EUA.
Dólar
- Às 14h52, o dólar subia 0,36%, a R$ 5,42.
- Mais cedo, às 12h30, a moeda norte-americana avançava 0,23% e era negociada a R$ 5,413.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,424. A mínima é de R$ 5,395.
- Na véspera, o dólar subiu 0,27%, terminando a sessão cotado a R$ 5,40.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,58% no mês e de 12,61% no ano frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a operar sob forte volatilidade no pregão.
- Às 14h56, o Ibovespa recuava 0,06%, aos 136,6 mil pontos, praticamente estável.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,89%, aos 136,6 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 2,72% em agosto e de 13,64% em 2025.
Pacote antitarifaço
As medidas anunciadas pelo governo federal para socorrer os setores da economia brasileira mais afetados pelo tarifaço comercial imposto pelos EUA foram importantes e devem aliviar o impacto das taxas, mas também trazem preocupação, segundo economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles.
Um ponto de atenção destacado pelos economistas é o potencial impacto do pacote no já delicado quadro fiscal brasileiro, em um momento em que o governo tenta reduzir gastos para equilibrar as contas públicas, além da possibilidade de as medidas se tornarem permanentes, e não apenas temporárias.
Por outro lado, entidades setoriais ligadas a alguns dos segmentos mais atingidos pelo tarifaço defenderam as medidas anunciadas pelo Planalto. É o caso, por exemplo, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (FecomercioSP).
Apelidada pelo governo de Brasil Soberano, a MP prevê uma série de ações com foco em auxiliar os pequenos empreendedores a diminuir os prejuízos causados pelas novas taxas. As medidas passam a valer imediatamente após a assinatura e precisaram ser aprovadas em até 120 dias pelo Congresso.
A MP passa a tramitar no Congresso com a criação de uma comissão mista, composta por deputados e senadores, que vão analisar o texto. Depois de aprovada no colegiado, a medida terá que ser aprovada também pelos plenários da Câmara e do Senado. Caso não seja votada em 120 dias, a MP perde a validade.
Balanços de empresas
A temporada de balanços financeiros corporativos segue a todo vapor, e os investidores continuam acompanhando atentamente a divulgação dos resultados de algumas das maiores empresas do país referentes ao segundo trimestre deste ano.
Entre os principais destaques desta quinta, está a repercussão dos dados divulgados pelas Casas Bahia, que encerraram o segundo trimestre registrando prejuízo líquido de R$ 555 milhões, revertendo o lucro de R$ 37 milhões reportado no mesmo período de 2024.
O resultado veio pior do que as estimativas de analistas do mercado, que giravam em torno de R$ 285 milhões de prejuízo.
Entre os balanços a serem divulgados nesta quinta, o maior destaque fica por conta do Banco do Brasil, cujos resultados saem após o fechamento do mercado. O banco acumula queda de 17% neste ano, após fraco desempenho no primeiro trimestre.
Além do Banco do Brasil, serão divulgados os números de Azul (AZUL4), Qualicorp (QUAL3), Banco BMG (BMGB4), BRF (BRFS3), Cemig (CMIG4), CPFL Energia (CPFE3), Lojas Marisa (AMAR3), Marfrig (MRFG3) e Oi (OIBR3), entre outras.
EUA
O dia também é movimentado nos EUA, com a divulgação do número de pedidos semanais de seguro-desemprego no país, dado essencial para os analistas avaliarem o desempenho do mercado de trabalho.
Também foram conhecidos os dados do Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) referentes a julho deste ano. O indicador mede a variação nos preços pagos aos produtores e serve como referência para a análise de tendências de inflação.
No mês passado, o indicador ficou em 0,9%, na comparação com junho (quando o índice registrou variação nula). Já na comparação anual, em relação a julho do ano passado, a inflação ao produtor nos EUA foi de 3,3% (ante 2,4% do mesmo período de 2024).
Ambos os resultados vieram acima das projeções do mercado, que eram de 0,2% (na base mensal) e 2,5% (anual).
O núcleo do PPI, que exclui itens considerados voláteis como alimentos e combustíveis, ficou em 0,9% na comparação mensal e 3,7% na base anual, também bem acima das projeções.
Os analistas do mercado esperavam que o núcleo da inflação ao produtor ficasse em 0,2% (mensal) e 2,9% (anual).
