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Dólar fica estável e Bolsa afunda depois de sobressalto com inflação

Moeda americana registrou leve queda de 0,10%, cotada a R$ 5,13. O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em baixa de 1,14%

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Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano
1 de 1 Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano - Foto: Costfoto/NurPhoto via Getty Images

O dólar manteve-se estável no pregão desta sexta-feira (27/2). Ele registrou leve queda de 0,10%, cotado a R$ 5,13. Como a variação foi pequena, houve estabilidade no câmbio. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com recuo de 1,14%, aos 188.818,88pontos.

O câmbio no Brasil acompanhou, em grandes traços, o movimento em outros mercados. Às 16h50, por exemplo, o dólar subia 0,05% frente ao peso colombiano. No mesmo horário, a moeda americana recuava 0,18% em relação a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), que constam do índice DXY.

Na manhã desta sexta, o humor dos investidores azedou com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação. A queda do Ibovespa aprofundou.

O IPCA-15 subiu 0,84% em fevereiro e 4,10% no acumulado nos últimos 12 meses. Os números vieram acima da expectativa dos agentes econômicos. Eles estimavam uma elevação de 0,57% em fevereiro e de 3,82% no acumulado dos 12 meses.

Inflação nos EUA

Os principais índices das bolsas americanas também apanharam neste pregão. A baixa ocorreu depois da divulgação de dados que apontaram para uma inflação mais forte no atacado. O  núcleo do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) de janeiro, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,8%, acima da previsão do mercado, que era de 0,3%.

Assim como no Brasil, o recrudescimento da inflação reduz as chances de um corte das taxas de juros americanas, hoje fixadas no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Nesse contexto, às 16h05, o S&P 500 caía 0,68%, o Dow Jones recuava 1,21% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, baixava 1,12%. Além da inflação, o mercado americano mantém fortes dúvidas sobre a efetividade dos investimentos em inteligência artificial (IA) – incerteza que compromete o desempenho das ações das poderosas empresas desse setor.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que, apesar da estabilidade desta sexta, o dólar acumulou queda superior a 1% nos últimos cinco dias. Com isso, a em oito semanas, a moeda americana recuou em seis delas.

“O movimento ocorre em um contexto de enfraquecimento global da moeda americana, refletido na queda de 0,72% do índice DXY no ano”, diz. “Nesse ambiente, o real voltou a se destacar entre as moedas, favorecido pelo elevado carry trade proporcionado pelo diferencial de juros doméstico.”

Carry trade é a estratégia na qual os investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses mesmos recursos em uma moeda com juros altos (no caso, o Brasil).

“Além disso, o fluxo estrangeiro segue positivo, com entradas tanto para a bolsa quanto para o mercado de renda fixa, contribuindo para a sustentação da moeda brasileira”, afirma Shahini.

Outros fatores

Outros fatores também pesaram no comportamento do mercado nesta sexta-feira, notadamente no Ibovespa. No fim de todo mês, dá-se a realização de lucros, em que os investidores vendem ações depois que elas atingem determinado patamar de preço.

Além disso, o Ibovespa é especialmente dependente dos recursos estrangeiros, que representam mais de 60% do volume financeiro da B3. Quando esse fluxo diminui, o índice recua.

“Guerra” da Ptax

No fim de todo o mês, ocorre ainda a “guerra da Ptax”. A Ptax é uma média do preço do dólar em relação ao real, calculada pelo Banco Central (BC). Ela serve de referência para contratos de câmbio.

Antes da virada do mês, empresas e investidores tentam influenciar a cotação da moeda americana para que a média lhes seja favorável. Com isso, esses grupos vendem ou compram grandes quantidades de dólar para puxar o preço para cima ou para baixo, afetando a média final.

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