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Dólar cai com chance de corte de juro nos EUA, apesar do Oriente Médio

Moeda americana registrou queda de 0,40% frente ao real, cotada a R$ 5,50. O Ibovespa também fechou em baixa, com recuo de 0,41%

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O pano de fundo que agitou os mercados de câmbio e ações nesta segunda-feira (23/6) foi a escalada do conflito no Oriente Médio que, além de Israel e do Irã, passou a envolver os Estados Unidos, desde o sábado (21/6). Mas, ao final do pregão, o dólar registrou queda de 0,40% frente ao real, cotado a R$ 5,50. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também fechou em baixa, com recuo de 0,41%, aos 136.550 pontos.

No fim de semana, havia grande expectativa sobre como os mercados iriam absorver o ataque dos EUA contra as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan, no Irã, no sábado. Isso além da reação dos iranianos, que, como represália, bombardearam nesta segunda-feira bases americanas no Catar no Iraque. A previsão era de alta volatilidade, associada a uma disparada no preço internacional do petróleo.

Não foi isso que se observou, porém. O fato é que o conflito no Oriente Médio agravou-se com a represália do Irã, mas não atingiu áreas de produção ou escoamento de petróleo. A partir daí, observam analistas, os investidores diminuíram as apostas em uma piora do cenário e diminuíram as expectativas de consequências dramáticas — ao menos por enquanto — para o confronto.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também minimizou o ataque dos mísseis iranianos contra a Base Aérea de al-Udeid, no Catar, sugerindo que Washington não responderá à ação. “O Irã respondeu oficialmente à nossa destruição de suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca”, disse o republicano, na sua rede, a Truth Social.

Preço do petróleo

Com isso, os contratos futuros de petróleo caíram perto de 7% nesta segunda-feira. O preço começou a desabar depois que o Irã disparou mísseis contra bases militares americanas no Catar e no Iraque. Foi aí que os investidores passaram a considerar a reação iraquiana limitada, sem comprometer alvos ligados à commodity.

“O mercado iniciou a semana em modo defensivo, ainda repercutindo o ataque dos Estados Unidos ao Irã”, diz Alexandro Nishimura, diretor da Nomos. “Como o evento aconteceu durante o fim de semana, os investidores tiveram tempo para assimilar seus efeitos. A abertura dos índices futuros, na noite de domingo, já indicava uma reação contida.”

Queda “contraditória”

Para Nishimura, o movimento de baixa do petróleo foi à primeira vista “contraditório”, mas fez sentido para o mercado. Além da reação iraniana ter “poupado” áreas de produção e escoamento da commodity, há a possibilidade de o confronto não ter longa duração. “Uma das leituras para esse ‘contrassenso’ é que a ofensiva do Irã no Catar pode pressionar os EUA a entrarem de forma ainda mais direta no conflito, o que, paradoxalmente, poderia acelerar seu desfecho”, afirma.

Banco Central

Apesar das tensões geopolíticas, diz o analista, fatores domésticos também pesaram na queda do Ibovespa nesta segunda-feira. “A percepção de que o Banco Central manterá os juros elevados por mais tempo, aliada aos ruídos fiscais e à queda nas ações de bancos e da Petrobras, pressionaram para baixo o principal índice da Bolsa brasileira”, diz.

“Já o dólar teve um pregão volátil, mas encerrou em queda”, acrescenta Nishimura. Ele observa: “A valorização do real foi sustentada pelo fluxo cambial favorável, pelo diferencial de juros (juros mais altos no Brasil atraem investidores) após a Selic subir para 15% e pelo aumento da percepção de risco nos países desenvolvidos”.

Corte de juros nos EUA

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, os mercados também foram influenciados por comentários feitos nesta segunda-feira pela diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Michelle Bowman. “Ela indicou que o momento para cortes na taxa de juros pode estar se aproximando rapidamente”, diz. “Sugeriu um corte já na próxima reunião de julho, caso as pressões inflacionárias permanecessem contidas.”

A economista observa que as declarações mais flexíveis da autoridade do Fed provocaram a queda nos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida americana, e uma desvalorização de 0,21% no índice do dólar em relação a uma cesta de moedas, relação medida pelo índice DXY. “Isso demonstra como as expectativas de política monetária podem preponderar sobre as preocupações geopolíticas, quando o risco de uma disrupção econômica direta diminui”, diz.

Além disso, a economista acrescenta mais um fator que pode explicar o comportamento dos mercados nesta segunda-feira. “No cenário doméstico, o Banco Central anunciou um leilão de até 9,5 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de julho de 2025”, acrescenta Paula. “Uma medida que reflete a vigilância da autoridade monetária para gerenciar a liquidez e a volatilidade cambial.”

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