Dólar sobe e Bolsa passa a cair com fim do shutdown, Trump e Galípolo
Na véspera, o dólar terminou em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,272, menor valor desde junho de 2024. Ibovespa cravou 12º recorde seguido
atualizado
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O dólar operava em alta nesta quarta-feira (12/11), dia em que os mercados dividem suas atenções entre o noticiário econômico doméstico e o cenário internacional.
No Brasil, os principais destaques são a divulgação dos resultados do setor de serviços em setembro deste ano e a participação do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em eventos em São Paulo.
Nos Estados Unidos, os investidores seguem aguardando o iminente fim do shutdown, a paralisação de diversos setores da máquina governamental norte-americana, que já dura mais de 40 dias e é a maior da história.
Também estão no radar declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciando uma possível redução nas tarifas comerciais aplicadas sobre o café, um dos principais produtos exportados pelo Brasil.
Dólar
- Às 13h36, o dólar subia 0,46%, a R$ 5,296.
- Mais cedo, às 11h04, a moeda norte-americana avançava 0,31% e era negociada a R$ 5,29.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,302. A mínima é de R$ 5,266.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,272. Foi o menor valor desde junho do ano passado.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,99% em novembro e de 14,68% frente ao real em 2025.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a operar em queda no pregão.
- Às 13h40, o Ibovespa recuava 0,6%, aos 156,7 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,6%, aos 157,7 mil pontos. Foi o 12º recorde seguido de fechamento e a 15ª elevação consecutiva do índice em pregões.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 5,49% no mês e de 31,15% no ano.
Fim do shutdown nos EUA
Os mercados continuam com as atenções voltadas aos EUA, aguardando o fim do shutdown, a paralisação de amplos setores do governo norte-americano, que já dura mais de 40 dias e é a mais duradoura da história do país.
Após ser aprovado pelo Senado, a Câmara dos Representantes dos EUA deve votar, nesta quarta, o acordo que pode encerrar o shutdown. Na segunda-feira (10/11), congressistas republicanos e democratas chegaram a um consenso sobre o acordo, aprovado no Senado por 60 votos contra 40.
A proposta prevê um pacote orçamentário provisório que possibilitará o financiamento do governo federal até janeiro de 2026, além de um pacote mais amplo de orçamento para o Legislativo, o Departamento de Agricultura e para programas voltados para veteranos norte-americanos.
O texto passou no Senado após cinco semanas de negociações entre representantes republicanos e democratas centristas.
Na terça-feira (11/11), Donald Trump parabenizou o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e o líder da maioria no Senado, John Thune, pela aprovação da medida que reabre o governo federal.
“Parabéns a você, ao John e a todos por essa grande vitória”, afirmou Trump, dirigindo-se a Johnson. “Estamos reabrindo o nosso país. Ele nunca deveria ter sido fechado.”
Tarifas sobre o café
Ainda nos EUA, o presidente Donald Trump afirmou que pretende reduzir “algumas tarifas” sobre o café, um dos principais produtos exportados pelo Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao programa The Ingraham Angle, da Fox News.
“Nós vamos baixar algumas tarifas sobre o café, e vamos ter algum café entrando [nos EUA]”, disse. “Vamos cuidar de tudo isso muito rápido, é cirúrgico, é bonito de se ver, mas o custo de vida hoje está bem menor.”
Apesar da declaração, Trump não especificou quais tarifas serão afetadas, nem quando a medida entrará em vigor. Segundo ele, a decisão faz parte de um esforço para “melhorar o comércio em setores estratégicos e beneficiar os consumidores americanos”.
A fala ocorre poucos meses depois de o governo dos EUA ter elevado as tarifas de importação de produtos brasileiros, incluindo o café, para até 50%. O Brasil é o maior exportador mundial de café e tem os EUA como um dos principais destinos de venda. Segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC), cerca de 20% das exportações brasileiras do grão têm como destino o mercado norte-americano.
O novo posicionamento de Trump sobre a taxação do café surge em meio a um contexto recente de reaproximação diplomática e comercial entre os EUA e o Brasil – simbolizada por encontros, conversas e acenos entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Setor de serviços no Brasil
No âmbito doméstico, o mercado repercute os dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o desempenho do setor de serviços no país em setembro.
Segundo o IBGE, o volume de serviços subiu 0,6% em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Foi o oitavo resultado positivo seguido, período em que o setor acumulou alta de 3,3%. Com isso, o setor de serviços está 19,5% acima do nível pré-pandemia (em fevereiro de 2020) e renova, neste mês, o ápice da sua série histórica.
Na série sem ajuste sazonal, em relação a setembro do ano passado, o volume de serviços avançou 4,1%, a 18ª taxa positiva consecutiva. No acumulado do ano, a alta é de 2,8% e, em 12 meses, de 3,1%.
O crescimento do setor em setembro foi acompanhado por três das cinco atividades, com destaque para os transportes +(1,2%). Os demais avanços vieram de informação e comunicação (+1,2%) e de outros serviços (+0,6%). Por outro lado, os serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) e os prestados às famílias (-0,5%) tiveram queda no mês.
Galípolo em São Paulo
Os investidores também monitoram declarações do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que cumpre agendas em São Paulo nesta quarta-feira.
O chefe da autoridade monetária participou de anúncios sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) e também de um debate no painel “Política Monetária no Brasil”, no Fórum de Investimentos 2026 – Tendências Globais para os Investimentos, promovido pela Bradesco Asset Management, na capital paulista.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu manter a taxa básica de juros no atual patamar de 15% ao ano, o maior em quase duas décadas, desde 2006. O mercado já vem projetando o início do ciclo de corte da Selic para o início do ano que vem.
Temporada de balanços
Por fim, os investidores seguem acompanhando a divulgação dos resultados trimestrais das empresas brasileiras. Nesta quarta-feira, os principais destaques são os balanços financeiros de companhias como MRV, Americanas, PagBank, Banco do Brasil, Ambipar e Hapvida.
