Bolsa afunda com possível indicação de Flávio candidato. Dólar dispara
Na véspera, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,04%, cotado a R$ 5,31. Ibovespa subiu 1,67%, aos 164,4 mil pontos, e bateu novo recorde
atualizado
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O dólar operava em alta nesta sexta-feira (5/12), no último pregão da semana, que tem as atenções dos investidores voltadas para a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos e também para o cenário político-eleitoral no Brasil.
O maior destaque da agenda econômica é o anúncio dos dados do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), indicador preferido do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para acompanhar a inflação e embasar suas decisões de política monetária.
O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), voltou a renovar sua máxima histórica durante o pregão, superando a marca dos 165 mil pontos pela primeira vez.
No início da tarde, o índice passou a cair após a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria escolhido o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
Dólar
- Às 15h40, o dólar disparava 2,69%, a R$ 5,455.
- Mais cedo, às 14h49, a moeda norte-americana avançava 1,9% e era negociada a R$ 5,421.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,454. A mínima é de R$ 5,30.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,04%, cotado a R$ 5,31.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,46% em dezembro e de 14,07% frente ao real em 2025.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da B3, passou a operar em fortíssima queda depois de bater novamente o recorde histórico.
- Às 15h42, o Ibovespa despencava 3,34%, aos 158,9 mil pontos.
- Mais cedo, o índice renovou sua máxima histórica mais uma vez, cravando 165.035,97 pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,67%, aos 164,4 mil pontos. O índice bateu seu recorde de fechamento pelo terceiro dia consecutivo.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 3,39% no mês e de 36,73% no ano.
Inflação nos EUA
O principal foco de atenção dos investidores continua sendo a definição do Banco Central dos EUA sobre a taxa de juros da economia norte-americana.
Atualmente, a taxa de juros nos EUA está no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano (após redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Fed), e a maioria dos analistas do mercado aposta em mais um corte de juros até o fim de 2025.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros dos EUA é de 87,2%. Por outro lado, 12,8% dos investidores apostam na manutenção do patamar atual. A próxima reunião do Fed ocorre na semana que vem, dias 9 e 10 de dezembro.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
O Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou em 0,3% em setembro deste ano, na comparação com o mês anterior. Em relação a setembro do ano passado, a inflação do consumo nos EUA ficou em 2,8%.
Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado. A maioria dos analistas projetava exatamente índices de 0,3% e 2,8%. Em agosto, a inflação do consumo nos EUA ficou em 0,3% (mensal) e 2,7% (anual).
O núcleo da inflação do consumo, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 0,2% em setembro. Na base anual, ficou em 2,8%.
O resultado, que também ficou dentro do esperado pelo mercado, indicou estabilidade em relação ao mês anterior, quando o núcleo do PCE foi de 0,2% (mensal) e 2,9% (anual).
Flávio Bolsonaro candidato?
Segundo informações do colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles, Jair Bolsonaro afirmou que o senador Flávio Bolsonaro será seu candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A escolha de um integrante da família foi comunicada a interlocutores próximos nesta semana. Essa é a primeira vez que o ex-presidente, que está preso na carceragem da Polícia Federal (PF) em Brasília, manifesta tal intenção.
Bolsonaro avalia que o filho primogênito ganhará musculatura para a disputa a partir do momento em que se comportar como postulante ao Palácio do Planalto e fizer agendas pelo Brasil. Na avaliação do ex-presidente, Flávio consolida unidade partidária e conta com um relevante palanque de governadores aliados como Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, e Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro.
Por conta disso, a previsão é que o senador comece a fazer mais viagens pelo país e assuma protagonismo nos embates com o presidente Lula. Dentro da família Bolsonaro, Flávio também seria o candidato que passaria “previsibilidade” para a classe política e o segmento econômico, dado o perfil mais moderado que o dos irmãos.
O mais provável, nesse novo cenário, é que Michelle concorra ao Senado pelo Distrito Federal e que algum partido de centro indique o vice na chapa de Flávio.
A reação do mercado aos novos planos do bolsonarismo foi negativa em um primeiro momento. O candidato preferido ao Planalto por amplos setores do mercado financeiro é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
LDO aprovada no Congresso
No Brasil, o Congresso Nacional aprovou, nessa quinta-feira (4/12), o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. O parecer, que obriga o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a pagar a maior parte das emendas até meados do ano eleitoral, recebeu votação simbólica.
O governo terá de pagar 65% das emendas obrigatórias ainda no primeiro semestre do ano, ou seja, até julho. Isso corresponde a cerca de R$ 13 bilhões. As emendas obrigatórias são as individuais, de bancada e Pix.
A LDO é o conjunto de diretrizes e regras que ditam como o Governo Federal deverá gastar o Orçamento do ano seguinte. A proposta é enviada pelo Palácio do Planalto, normalmente, no primeiro trimestre do ano anterior ao que se refere o projeto, e deve ser votado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, depois, pelo Congresso Nacional.
O relatório do deputado federal Gervásio Maia (PSB-PB) instituiu um cronograma para a execução de 65% dos recursos impositivos (aqueles que o Palácio do Planalto é obrigado a pagar) indicados por parlamentares até julho de 2026. Isso se aplica para emendas individuais e de bancadas estaduais. As emendas de comissão ficaram de fora.
A agenda foi um dos principais pontos de conflito entre o governo e o Congresso e levou ao adiamento da votação por quase cinco meses. O relatório de Maia foi chancelado na Comissão Mista de Orçamento (CMO), na última quarta-feira (3/12), antes de chegar ao plenário.
