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Deloitte recomenda falência das marcas de roupas Siberian e Crawford

Com dívida de R$ 450 milhões, grupo pediu recuperação judicial em 2021 e, para a consultoria, dá sinais de não cumprir função social

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Divulgaçãp
imagem colorida de fachada da loja Siberian Crawford
1 de 1 imagem colorida de fachada da loja Siberian Crawford - Foto: Divulgaçãp

A Deloitte, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo, enviou à Justiça paulista na semana passada um relatório que, na prática, recomenda a falência do grupo Valdac Global Brands (VGB), dono das marcas de roupas Siberian e Crawford.

O VGB está em recuperação judicial (RJ). O pedido de RJ foi feito aos tribunais em 2021, para reestruturar dívidas estimadas, à época, em cerca de R$ 450 milhões.

A Deloitte é a administradora da recuperação judicial do VGB. No último relatório de prestação de contas feito pela consultoria, foram elencados diversos motivos para justificar a indicação de “convolação em falência”, termo técnico que expressa a passagem do atual estado de RJ para a bancarrota.

No documento, a consultoria descreve o baque estrutural sofrido pelo grupo nos últimos dois anos. Em 2023, o VGB mantinha 18 lojas. Agora, tem apenas um ponto de venda, além da sede administrativa e de outlet. Nesse mesmo período, o número de funcionários passou de 136 para 21.

No auge de sua operação, no início dos anos 2010, a rede de lojas Siberian-Crawford contava com cerca de 2 mil funcionários e perto de 130 lojas espalhadas pelas principais cidades do país.

Caixa fraco

Ainda segundo a auditoria, o grupo passou nos últimos anos por uma queda brusca no fluxo de caixa – o registro das entradas e saídas de dinheiro de uma empresa, uma ferramenta essencial para a gestão financeira de qualquer companhia. Para a consultoria, tal fluxo já “não faz frente às despesas do VGB, havendo indícios de que a função social da empresa não está sendo cumprida”.

Em relação a esse ponto, o relatório cita que, em maio de 2025, as entradas de recursos somaram R$ 205 mil, enquanto as saídas atingiram igualmente R$ 205 mil. Houve um consumo de caixa de R$ 304,00 e saldo final de R$ 1 mil. E a situação pode ser pior: “Ressalta-se que essa visão é bastante limitada, já que não foi recebida a informação atualizada do relatório de contas a pagar desde outubro de 2024 e não sabemos o valor atualizado do saldo em atraso do VGB”, acrescenta o documento da Deloitte.

Dívidas trabalhistas

Na recomendação de mudança de status da RJ para falência, a consultoria menciona ainda problemas no pagamento de dívidas trabalhistas. Na prestação de contas enviada à Justiça, a Deloitte informa que o início do cumprimento do novo plano de RJ ocorreu em 29 de abril de 2025 e os pagamentos dos créditos inferiores a R$ 7 mil deveriam ter sido feitos em parcela única até 30 dias da publicação da medida. Ou seja, em 29 de maio de 2025.

Em 3 de junho, foram identificados 286 credores trabalhistas titulares que se enquadravam nessa situação e, somados, deveriam receber cerca de R$ 630 mil. Mas, segundo o VGB, desse contingente (os 286 credores trabalhistas), apenas quatro enviaram dados bancários. “Contudo, a administradora judicial apurou o pagamento para apenas dois, no montante de R$ 4.971,25”, especifica o relatório.

Por fim, o documento trata também da falta de pagamento à própria Deloitte. A administradora judicial do processo relata o valor vencido dos honorários é atualmente de R$ 3,3 milhões.

Destaque no passado

Se hoje enfrentam dificuldades, as marcas de roupas Siberian e Crawford já tiveram grande destaque no segmento chamado de fast fashion. O embrião do grupo VGB surgiu em 1981, quando o empresário paulistano Dácio Oliveira, em parceria com sua mãe, Valdivina Pereira de Aguiar, que fazia malhas de tricô, fundou a Valdac (termo formado pela união dos nomes Valdivina e Dácio).

Com o tempo, a holding VGB transformou-se em um dos maiores grupos do setor de roupas do país, com os já mencionados mais de 2 mil funcionários e cerca de 130 lojas das marcas Siberian e Crawford, espalhadas pelo país.

Agora, além dos problemas com a recuperação judicial, a família que criou as duas marcas está envolvida numa disputa patrimonial. Stephanie Saraiva, a filha do fundador da antiga rede de lojas, pediu à Justiça uma produção antecipada de provas, para eventualmente entrar com um processo em que afirma que seus parentes a deixaram de fora de uma herança estimada em R$ 500 milhões.

Briga em hospital

Em recente episódio, as desavenças na família transformou-se em suposta pancadaria. O marido de Stephanie, Jorge Saraiva Neto, ex-CEO da livraria Saraiva, acusou Dilson Oliveira, tio da esposa e sócio da Siberian e Crawford, de tê-lo atingido com um soco no olho num corredor do Hospital Albert Einstein, na noite de sábado (9/8). Ele afirmou à polícia que foi agredido quando a esposa tentava visitar a avó, Valdivina, internada no luxuoso centro médico paulistano.

Consultada, a administradora judicial informou: que, “em razão de compromissos de confidencialidade e ética profissional, a Deloitte não comenta a respeito de seus clientes ou de empresas do mercado”.

A reportagem do Metrópoles entrou em contato com representantes das empresas do VGB e seus eventuais representantes legais, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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