Coteminas, do presidente da Fiesp, entra em recuperação judicial
Gigante têxtil, dona de marcas como MMartan, Artex e Santista, recorreu à Justiça para se proteger do vencimento antecipado de debêntures

A Coteminas, que pertence ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva (foto em destaque), informou em fato relevante nesta quarta-feira (8/5) que entrou em recuperação judicial.
De acordo com a empresa, o pedido foi motivado pelo vencimento antecipado de debêntures do Fundo de Investimentos Odernes, que solicitou acesso a ações da Ammo Varejo, controlada pelo grupo Coteminas, como garantia pelo não pagamento de dívidas.

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Ver todasNo fato relevante, a empresa afirmou que enfrenta uma combinação de fatores adversos que acarretaram dificuldades financeiras desde o fim da pandemia. “Nesse contexto”, diz o documento, “com o objetivo de garantir a preservação das atividades empresariais e de ativos” a Coteminas solicitou a recuperação judicial, que engloba outras indústrias do grupo, caso da Springs Global, Santanense e Ammo Varejo.
A Ammo, dona de marcas como MMartan e Artex, tentou abrir o capital em 2021, mas não conseguiu. Em junho de 2022, quis levantar cerca de R$ 300 milhões numa emissão de debêntures. Os papéis eram conversíveis em ações no prazo de cinco anos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDo total inicialmente previsto, ela conseguiu colocar no mercado R$ 180 milhões, que ficaram com o Fundo de Investimentos Odernes. Em março de 2023, a Coteminas não conseguiu cumprir obrigações financeiras referentes a esses papéis.
Demissões e acordo com Shein
Em abril do ano passado, a Coteminas formalizou a demissão de 721 funcionários de uma unidade fabril, em Blumenau, em Santa Catarina. Pouco antes disso, em abril, havia anunciado um acordo para produzir roupas no Brasil para a chinesa Shein. A parceria previa que 2 mil clientes confeccionistas da empresa brasileira seriam fornecedores da marca asiática para os mercados doméstico e da América Latina.
CORREÇÃO: Ao contrário do que foi informado na versão original desta reportagem, a Santista Têxtil não pertence à Coteminas. A informação foi corrigida às 16 h de sexta-feira (17/5), após notificação enviada pela empresa. A Santista informou que “não está em recuperação judicial e goza de plena saúde financeira”, Além disso, o uso pela Coteminas da marca Santista para produtos da linha CAMEBA é resultado de “contratos de licença de uso de marcas, celebrados por períodos de 5 anos”.



