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Negócios

Coteminas, do presidente da Fiesp, entra em recuperação judicial

Gigante têxtil, dona de marcas como MMartan, Artex e Santista, recorreu à Justiça para se proteger do vencimento antecipado de debêntures

08/05/2024 15:14, atualizado 17/05/2024 16:00
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Fábio Vieira/Metrópoles
imagem colorida presidente fiesp josue gomes silva

A Coteminas, que pertence ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva (foto em destaque), informou em fato relevante nesta quarta-feira (8/5) que entrou em recuperação judicial. 

De acordo com a empresa, o pedido foi motivado pelo vencimento antecipado de debêntures do Fundo de Investimentos Odernes, que solicitou acesso a ações da Ammo Varejo, controlada pelo grupo Coteminas, como garantia pelo não pagamento de dívidas. 

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No fato relevante, a empresa afirmou que enfrenta uma combinação de fatores adversos que acarretaram dificuldades financeiras desde o fim da pandemia. “Nesse contexto”, diz o documento, “com o objetivo de garantir a preservação das atividades empresariais e de ativos” a Coteminas solicitou a recuperação judicial, que engloba outras indústrias do grupo, caso da Springs Global, Santanense e Ammo Varejo.

A Ammo, dona de marcas como MMartan e Artex, tentou abrir o capital em 2021, mas não conseguiu. Em junho de 2022, quis levantar cerca de R$ 300 milhões numa emissão de debêntures. Os papéis eram conversíveis em ações no prazo de cinco anos. 

Do total inicialmente previsto, ela conseguiu colocar no mercado R$ 180 milhões, que ficaram com o Fundo de Investimentos Odernes. Em março de 2023, a Coteminas não conseguiu cumprir obrigações financeiras referentes a esses papéis.

Demissões e acordo com Shein

Em abril do ano passado, a Coteminas formalizou a demissão de 721 funcionários de uma unidade fabril, em Blumenau, em Santa Catarina. Pouco antes disso, em abril, havia anunciado um acordo para produzir roupas no Brasil para a chinesa Shein. A parceria previa que 2 mil clientes confeccionistas da empresa brasileira seriam fornecedores da marca asiática para os mercados doméstico e da América Latina.

CORREÇÃO: Ao contrário do que foi informado na versão original desta reportagem, a Santista Têxtil não pertence à Coteminas. A informação foi corrigida às 16 h de sexta-feira (17/5), após notificação enviada pela empresa. A Santista informou que “não está em recuperação judicial e goza de plena saúde financeira”, Além disso, o uso pela Coteminas da marca Santista para produtos da linha CAMEBA é resultado de “contratos de licença de uso de marcas, celebrados por períodos de 5 anos”.