Conselho dos Correios dá sinal verde a empréstimo de R$ 20 bilhões

Empréstimo deve ser concedido por consórcio de bancos privados e depende da aprovação do Tesouro Nacional, que será o avalista do negócio

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Imagem colorida, sede dos Correios - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida, sede dos Correios - Metrópoles - Foto: Reprodução

O Conselho de Administração dos Correios aprovou, em reunião realizada neste sábado (29/11), a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões para reforçar o caixa da estatal, que enfrenta crise financeira e planeja uma reestruturação.

A informação foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Metrópoles. O empréstimo deve ser concedido por um consórcio de bancos privados. A operação ainda depende da aprovação do Tesouro Nacional, que será o avalista do negócio.

Segundo os argumentos apresentados pela direção dos Correios ao Conselho de Administração, a operação é necessária para a garantia da liquidez da empresa no curto prazo, além da regularização de pagamentos pendentes e da viabilização do início do processo de reestruturação.

O que dizem os Correios

Por meio de nota divulgada neste sábado, os Correios confirmaram que o Conselho de Administração autorizou “a contratação de operação de crédito no valor de R$ 20 bilhões, uma das ações estratégicas de curto prazo que integram o Plano de Reestruturação da empresa”.

“Após a validação das instâncias internas de governança, exigida para operações dessa relevância, a empresa agora finaliza a documentação necessária para envio à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) – etapa que antecede a análise e aprovação pelo Controlador, uma vez que a operação contará com garantia da União”, diz o comunicado.

“As condições financeiras da operação ainda estão sendo tratadas junto às instituições envolvidas e, por ora, não podem ser detalhadas. Todas as informações oficiais sobre o Plano de Reestruturação dos Correios e sobre o andamento da operação de crédito serão divulgadas pelos canais institucionais da empresa”, prosseguiram os Correios.

Segundo a nota, “a direção da estatal segue trabalhando com responsabilidade e transparência para assegurar a sustentabilidade e o fortalecimento dos Correios”.

Entenda a proposta

A proposta de empréstimo teria sido apresentada por um grupo formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. Oficialmente, os bancos não se manifestaram até o momento.

A taxa de juros proposta teria ficado um pouco abaixo da oferta inicial de 136% do CDI, mas ainda próxima desse patamar. Os bancos, por sua vez, flexibilizaram exigências adicionais consideradas atípicas para operações com garantia soberana.

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é uma taxa de juros que reflete a média dos empréstimos de curtíssimo prazo feitos entre os bancos para que eles possam equilibrar seus caixas. Em linhas gerais, a taxa serve como referência para o rendimento de diversos investimentos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs – e acompanha de perto a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic).

Já a garantia soberana é um tipo de garantia fornecida pelo Estado para assegurar o cumprimento de uma obrigação financeira ou contratual. Ela é frequentemente utilizada em projetos de infraestrutura, empréstimos para o setor público e comércio internacional e tem a função de mitigar o risco de inadimplência e atrair o capital privado.

Prejuízo bilionário até setembro

Como noticiado pelo Metrópoles, os Correios reportaram um prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões no período entre janeiro e setembro deste ano. Os dados foram divulgados pela estatal na noite dessa sexta-feira (28/11), após o fechamento do mercado. Os números apresentados no balanço financeiro da companhia indicam que o rombo aumentou de forma expressiva em 2025, deteriorando ainda mais a situação das contas da empresa – que já vem acumulando perdas pelo menos desde 2023.

O prejuízo bilionário dos nove primeiros meses de 2025 é quase três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Somente no terceiro trimestre deste ano, o prejuízo dos Correios foi de R$ 1,7 bilhão. A receita total da estatal recuou para R$ 12,35 bilhões, com baixa de 12,7% em relação ao mesmo período de 2024.

Ainda de acordo com o balanço dos Correios, as despesas gerais e administrativas saltaram 53,5%, de R$ 3,14 bilhões para R$ 4,82 bilhões até setembro.

Os custos operacionais também caíram, mas de forma mais leve, de R$ 11,85 bilhões para R$ 11,69 bilhões entre os nove primeiros meses de 2024 e igual período de 2025.

Plano de reestruturação

No último dia 19, os Correios aprovaram um plano de reestruturação que previa o empréstimo de até R$ 20 bilhões ainda em novembro, a fim de quitar obrigações de curto prazo. O plano tem três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento.

Os Correios planejam realizar a monetização de ativos e venda de imóveis, que, segundo a estatal, podem render até R$ 1,5 bilhão. O plano de recuperação financeira também prevê a otimização da rede de atendimento, com redução de até mil agências deficitárias, e um Programa de Demissões Voluntárias (PDV), além de uma “remodelagem de custos com plano de saúde”.

Por causa do déficit dos Correios, o governo federal apertou os cintos para fechar as contas públicas dentro da meta, que é de déficit zero, mas com tolerância de até R$ 31 bilhões. O resultado foi um contingenciamento de R$ 3,3 bilhões no Orçamento da máquina pública.

A estatal sinaliza a possibilidade de operações como fusões, aquisições e outras reorganizações societárias para fortalecer a competitividade da companhia no médio e longo prazo.

O atual presidente dos Correios é Emmanoel Schmidt Rondon, no cargo desde setembro deste ano. Ele assumiu a presidência da estatal no lugar de Fabiano Silva dos Santos, que pediu demissão em julho, em meio à pressão pelo mau desempenho financeiro da empresa.

Rombo histórico de estatais

Como mostrou o Metrópoles, um relatório divulgado pelo Banco Central (BC) apontou que as estatais brasileiras somaram um déficit acumulado de R$ 6,35 bilhões entre janeiro e outubro deste ano. O maior prejuízo é o dos Correios, que se tornou uma dor de cabeça para o governo federal, com déficits consecutivos.

O resultado até outubro do rombo das estatais se aproxima do total de prejuízo de 2024 (R$ 6,73 bilhões), o maior da história. A tendência é a de que o buraco seja ainda maior neste ano.

O cálculo do BC leva em conta empresas como Correios, Casa da Moeda, Hemobrás, Emgea, Emgepron, Infraero, Dataprev e Serpro. No entanto, estão excluídas a Petrobras e a Eletrobras (atual Axia Energia), assim como os bancos públicos.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?