“Confundiram canal corporativo com rede social”, diz CEO do Nubank

O empresário David Vélez, CEO do Nubank, respondeu nas redes sociais a críticas de ex-funcionário sobre demissões na fintech

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Imagem de telefone celular, em cima de um teclado de notebook, exibindo a logomarca do Nubank - Metrópoles
1 de 1 Imagem de telefone celular, em cima de um teclado de notebook, exibindo a logomarca do Nubank - Metrópoles - Foto: Jaque Silva/NurPhoto via Getty Images

A crise no Nubank deflagrada pela demissão de funcionários insatisfeitos com as mudanças anunciadas pela empresa no modelo de trabalho híbrido chegou às mais elevadas instâncias da fintech, sendo repercutida publicamente pelo CEO da companhia, David Vélez, nas redes sociais.

O Nubank demitiu 12 funcionários na última sexta-feira (7/11) depois de reações negativas e até mesmo revolta durante uma reunião na qual a empresa anunciou o fim do modelo de trabalho quase 100% em home office e a adoção do formato híbrido a partir do ano que vem.

Segundo a companhia, a partir do dia 1º de julho de 2026, pelo menos 70% dos funcionários terão de comparecer ao escritório do Nubank para trabalhar presencialmente dois dias por semana. A quantidade de dias presenciais aumentará para três por semana a partir de 1º de janeiro de 2027. Atualmente, os funcionários do Nubank comparecem ao escritório apenas durante uma semana por trimestre.

A mudança já havia sido anunciada em um e-mail assinado pelo próprio Vélez. Na mensagem, o executivo admite que a empresa estava ciente de que poderia haver uma “disrupção para parte dos funcionários” com o novo formato de trabalho.

Críticas nas redes

Em um comentário publicado no LinkedIn, o executivo respondeu a uma crítica de Rafael Calsaverini, um ex-funcionário do Nubank que trabalhou por quase cinco anos na área de tecnologia da fintech. O ex-“nubanker”, por sua vez, havia comentado em uma publicação da presidente do Sindicato dos dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, sobre as demissões na companhia.

“O Nubank cultivou por anos a ideia de que confrontar a gestão da empresa é perfeitamente válido. Eu trabalhei cinco anos lá e vi esse tipo de confronto várias vezes”, escreveu Calsaverini. Segundo o ex-funcionário do Nubank, que relatou ter tido acesso às mensagens dos demitidos, foram “meros comentários irônicos pontuais que não são justificativa para justa causa”. “Garanto que, em cinco anos, vi mensagens bem mais agressivas e injuriosas que não resultaram em demissões.”

No comentário crítico ao Nubank, Calsaverini marcou o CEO da empresa. E escreveu: “David Vélez, você é capaz de reações melhores do que essas. Eu já mandei mensagens bem duras para você em canais públicos do Nubank. Elas resultaram em diálogo e não nesse tipo de medida reativa irracional”.

A resposta do principal exectutivo do Nubank foi dada no próprio post na rede social.

“Rafael Calsaverini, você tem pouca informação, meu amigo. Você não faz ideia do tipo de linguagem e comportamento dessas pessoas”, escreveu Vélez. “Confundiram um canal corporativo com rede social ou arquibancada de estádio. Você não aceitaria esse comportamento na sua própria casa.”

A publicação da presidente do Sindicato dos Bancários, que também contesta as demissões no Nubank, já tinha mais de mil curtidas e centenas de comentários.

Também nas redes sociais, a empresária Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, que recentemente se mudou para os Estados Unidos para comandar a operação da fintech no país, também rebateu críticas à empresa. Ao abrir sua “caixinha de perguntas” aos seguidores no Instagram, na última sexta-feira, Junqueira disse que o Nubank dará uma ajuda de custa aos funcionários que moram longe dos escritórios para que se mudem para as cidades-sedes das operações presenciais.

Reação de funcionários

Na última quinta-feira (6/11), o Nubank promoveu uma reunião da qual participaram cerca de 7 mil dos 9,5 mil funcionários da companhia – a maior parte deles participou do encontro remotamente, via Zoom. Alguns funcionários reagiram de forma contrária à mudança no formato de trabalho, e a reunião foi marcada por momentos de maior rispidez entre os participantes, inclusive com alguns insultos e linguajar agressivo.

O caso foi analisado pelo Comitê de Conduta do Nubank. No dia seguinte, em um outro e-mail, a empresa anunciou a demissão de 12 funcionários. “Foi uma decisão difícil, mas nós impusemos um limite do que é desrespeito e agressão”, informou a mensagem do Nubank.

De acordo com o órgão interno que analisou o comportamento dos funcionários na reunião, houve elementos que justificaram as demissões por justa causa. O banco digital anunciou ainda que “muitos outros funcionários vão receber advertências por escrito”.

Em um fórum de discussão interno, alguns funcionários do Nubank alegaram que moram longe das cidades nas quais há escritórios da empresa e que foram pegos de surpresa com o anúncio da direção. Outros também reclamaram de uma suposta falta de representatividade de pessoas de fora do Sudeste na instituição financeira, dizendo que a mudança no formato de trabalho prejudica mais aqueles que moram fora de São Paulo.

Sindicato convocou “plenária virtual” com funcionários

Depois de cobrar esclarecimentos do Nubank a respeito das 12 demissões anunciadas após reação negativa de funcionários às mudanças no modelo de trabalho da fintech, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região informou que foi marcada para esta quarta-feira (12/11) a primeira “plenária virtual” com funcionários e colaboradores da empresa.

Segundo nota da entidade, a reunião terá início às 19 horas e terá como tema principal as mudanças do Nubank no modelo de trabalho a partir do ano que vem – que teria sido o estopim para a indignação de alguns funcionários, que manifestaram seu descontentamento.

Em nota, o sindicato afirmou que “já começou a ouvir os trabalhadores do Nubank, por meio de um formulário onde eles podem enviar suas queixas, dúvidas e sugestões”.

“Será uma mudança drástica para grande parte dos empregados do Nubank, já que hoje o regime de trabalho no banco é de uma semana inteira em presencial e oito a 12 semanas em home office. Por isso, queremos ouvir os trabalhadores, suas dúvidas e os problemas que enfrentarão com o novo regime”, disse a secretária-geral do sindicato, Lucimara Malaquias.

“Essa será a primeira plenária, mas o sindicato realizará outros encontros e teremos outros espaços de debate e de organização. É fundamental que todos participem”, completou.

Marcelo Gonçalves, diretor do sindicato, destacou que “é importante que os ‘nubankers’ sejam ouvidos, pois essa mudança tem muito impacto na vida profissional e pessoal deles”. “Vamos encaminhar esse processo de escuta para a negociação com o Nubank”, afirmou.

Sindicato pediu reunião com Nubank

Em nota publicada no site da entidade, o Sindicato dos Bancários já havia pedido uma “reunião urgente” com a direção do Nubank para “esclarecer as demissões por justa” comunicadas no fim da semana passada.

O sindicato afirma que “está em contato com os demitidos” e “registrou que seus relatos divergem das alegações da empresa”.

“O Sindicato não conhece o teor das mensagens que o Nubank alega como motivo das dispensas e afirma que não aceitará punição a trabalhadoras e trabalhadores por se manifestarem sobre mudanças que afetam diretamente sua vida e seu trabalho. A entidade pede a instalação imediata de uma mesa de negociação para tratar dos desligamentos e requer a suspensão das demissões enquanto durar a apuração”, diz o texto.

Segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, “mudanças que impactam a vida de milhares de pessoas exigem transparência, diálogo e previsibilidade”. “Nossa prioridade é proteger o direito de manifestação dos trabalhadores e evitar qualquer forma de retaliação”, afirmou.

No comunicado, o sindicato afirma ainda que, além de solicitar a reunião com a direção do Nubank, pediu “a suspensão das 12 demissões enquanto houver investigação”.

A entidade também reafirmou o “compromisso de tratar as demandas dos trabalhadores nas reuniões mensais com o sindicato” e prometeu a “convocação, nos próximos dias, de reunião virtual aberta aos trabalhadores do Nubank”.

“O formulário do Sindicato já recebeu centenas de contribuições desde quinta-feira (6/11)”, diz a nota.

O que disse o Nubank sobre as demissões

O Nubank disse aos funcionários que irá expandir seus escritórios para atender ao aumento do número de pessoas que trabalharão presencialmente. A companhia conta com duas unidades em São Paulo, uma na Cidade do México e uma em Bogotá (Colômbia).

O Nubank tem ainda três espaços para networking e capacitação, os chamados “hubs de talentos”, em Montevidéu (Uruguai), Berlim (Alemanha) e Durham (EUA).

A companhia pretende inaugurar novos escritórios em Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Buenos Aires (Argentina), Washington (EUA), Miami (EUA) e Palo Alto (EUA).

Segundo a fintech, algumas funções continuarão sendo exercidas remotamente “devido à natureza de seus trabalhos exigir pouca ou nenhuma interação com outras equipes”. Entre esses cargos, estão profissionais de atendimento ao cliente, profissionais de investimentos, ouvidoria, rotuladores de dados, investigadores de crimes financeiros, profissionais de soluções regulatórias e profissionais de recursos humanos.

Procurado pela reportagem do Metrópoles, o Nubank afirmou, por meio de nota, que “trabalha para preservar canais e rituais abertos para o livre debate entre seus funcionários, mas não tolera desrespeito e violações de conduta”. “O Nubank não comenta casos individuais de desligamento”, diz o comunicado.

Mais 2 demissões por tentativa de sabotagem

Como se não bastasse a crise deflagrada pela insatisfação de parte dos funcionários com as mudanças anunciadas, o Nubank também demitiu mais dois profissionais de sua equipe que teriam tentado sabotar os sistemas internos da companhia.

Em mensagem direcionada aos funcionários do Nubank, à qual a reportagem do Metrópoles teve acesso, o CTO da fintech, Eric Young, informou que ambos os funcionários “foram imediatamente demitidos e denunciados às autoridades”. O caso está sob investigação policial.

“Durante nossas operações regulares de Segurança da Informação, detectamos que dois funcionários estavam planejando sabotar sistemas internos. Agimos rapidamente para impedir que esses funcionários concretizassem o plano, utilizando nossas robustas defesas contra qualquer tipo de ameaça”, escreveu Young no comunicado interno.

“Os funcionários foram imediatamente demitidos e denunciados às autoridades. Todas as evidências serão encaminhadas para as devidas providências e não faremos comentários sobre investigações em andamento”, diz o texto.

O CTO do Nubank complementa o comunicado afirmando “a todos os funcionários do Nubank que qualquer tipo de ameaça ao sistema financeiro é crime federal e deve ser denunciada imediatamente”.

Até este momento, não é possível saber se as novas demissões do Nubank têm alguma conexão com o descontentamento dos funcionários sobre as mudanças no modelo de trabalho. Procurado pelo Metrópoles, o Nubank informou que não se manifestará sobre o assunto.

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região já foi comunicado a respeito dos dois novos desligamentos na fintech.

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