Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

"BC tem instrumentos para cumprir meta de inflação", diz Galípolo

Em evento em SP, futuro presidente do BC disse que volatilidade tem sido resultado da tentativa do mercado de digerir o pacote fiscal

02/12/2024 11:45
Compartilhar notícia
Igo Estrela/Metrópoles
Imagem colorida de Galípolo - Metrópoles

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), o economista Gabriel Galípolo, que substituirá o atual presidente da instituição, Roberto Campos Neto, a partir de janeiro de 2025, afirmou nesta segunda-feira (2/12) que o “BC tem instrumentos para cumprir a meta de inflação”, fixada em 3% para o próximo ano. A afirmação foi feita em um evento realizado pela corretora XP, em São Paulo.

Galípolo definiu a discussão sobre o patamar da meta como um “não tema”. Para o futuro presidente da instituição, não cabe ao BC discutir o número, mas, sim, cumprir a determinação de alcançá-lo. “Esse é um tema totalmente página virada”, disse.

Embora a meta para a inflação tenha sido definida em 3%, ela permite uma variação de 1,5 ponto porcentual. Assim, no limite, os preços poderiam aumentar 4,5% ao ano. Ocorre que, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (2/12) pelo BC, o mercado já projeta uma inflação de 4,71% para 2024 e de 4,40% para 2025 – e ambas as estimativas estão subindo.

Para Galípolo, contudo, o foco do BC deve ser mantido nos 3%. Ele observou que a margem de tolerância existe para eventualmente “absorver eventuais choques”. “O foco é a meta”, afirmou.

Volatilidade

No evento, o diretor do BC também foi questionado sobre as forte oscilações que vêm ocorrendo no mercado, notadamente no câmbio, com o dólar batendo sucessivos recordes de alta. Elas ocorreram desde que o governo anunciou o pacote de medidas de corte de gastos, ao lado de de alterações na cobrança do Imposto de Renda (IR), com a isenção para as pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês.

Para o economista, a “volatilidade foi resultado da tentativa do mercado de digerir as informações”. “Na última semana, a gente tinha a expectativa do anúncio das medidas fiscais (de contenção de gastos)”, disse. Ao mesmo tempo, notou Galípolo, “chegaram dados” sobre a mudança na tributação. “No início, houve uma dúvida se o IR estaria correlacionado com os gastos.”

Selic

Galípolo afirmou ainda que o BC não dará nenhuma orientação (“guidance”, no jargão do mercado financeiro, que usa o termo em inglês) sobre as próximas alterações na taxa básica de juros, a Selic, hoje fixada em 11,25%. “O BC não está aqui para gerar mais volatilidade no processo”, disse o futuro presidente da instituição.

A definição da taxa Selic voltará a ser discutida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, entre os dias 10 e 11 de dezembro.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters