Barbalho: COP 30 pode deixar “Vale do Silício da floresta” como legado
“Aquilo que Belém decidir vai impactar as nossas vidas e as vidas dos nossos filhos”, afirmou Helder Barbalho (MDB), governador do Pará
atualizado
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O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou nesta sexta-feira (25/7), ao participar de um painel na Expert XP, uma das principais feiras de investimento do mundo, em São Paulo, que o Brasil tem uma grande oportunidade de se tornar a maior referência no debate sobre a questão climática com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), programada para novembro deste ano.
Segundo o governador paraense, que lidera a reta final da preparação do estado para receber a COP, o mundo poderá conhecer o Pará e o Brasil, com seu potencial e suas peculiaridades. Para Barbalho, a COP 30 não terá o mesmo “luxo” de edições anteriores em outros países, mas contará com a forte presença de indígenas, quilombolas e da sociedade civil.
“Com os pés no chão da Amazônia, conhecendo a ancestralidade, os povos indígenas e quilombolas, o mundo poderá conhecer os desafios de uma região que tem floresta e tem gente. Temos a maior floresta tropical do mundo e também 30 milhões de brasileiros que vivem abaixo da copa das árvores e precisam de políticas públicas eficientes”, disse Barbalho.
“A expectativa é que tenhamos, em duas semanas, cerca de 50 mil a 60 mil visitantes que estarão indo a Belém para participar dos debates, sejam elas pessoas com status público ou da iniciativa privada”, estimou o governador do Pará. O estado vem recebendo críticas em relação à falta de estrutura para receber um público tão grande.
“Provavelmente, não será uma COP com o luxo de Dubai [nos Emirados Árabes, que recebeu a COP 28, em 2023], mas será com a floresta”, disse Barbalho. “A participação da sociedade civil é muito importante. Que tenhamos uma COP com a presença da sociedade, e não apenas de governos ou entidades não governamentais”, afirmou.
Segundo o governador paraense, “a COP impacta a vida de cada cidadão”. “Aquilo que Belém decidir vai impactar as nossas vidas e as vidas dos nossos filhos, para que possamos ter um futuro sustentável”, afirmou.
“Vale do Silício” da floresta
Durante o painel intitulado “COP 30 e o protagonismo do Brasil na agenda ambiental”, Helder Barbalho disse que pretende deixar um legado de desenvolvimento sustentável e tecnológico ao país após o evento em Belém.
“Queremos deixar como legado da COP o primeiro centro de bioeconomia da Amazônia, com uma lógica semelhante ao que ocorre no Vale do Silício. Que possamos construir o Vale da Biotecnologia da floresta para nos posicionarmos com o ativo florestal como solução de sustentabilidade e economia verde”, afirmou o governador.
“O papel da iniciativa privada cada vez mais alcança uma dimensão elevada. Se a geopolítica gera um estresse importante, como estamos vivendo agora em seu momento mais agudo, a importância das ambições da iniciativa privada para neutralizar emissões e buscar alternativas de matrizes energéticas, posiciona esse setor no centro das discussões”, completou Barbalho, referindo-se à tensão em escala global nos últimos meses em função das tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre diversos países, inclusive o Brasil.
“COP do Brasil”
No fim de seu discurso, o governador do Pará disse que a COP 30 tem o objetivo de ser de todos os brasileiros, e não apenas dos paraenses.
“O Brasil precisa se apropriar dessa oportunidade. A COP acontecerá em Belém, no Pará, na Amazônia, mas precisa ser a COP do Brasil. Que possamos ser a locomotiva desse novo tempo e que a riqueza da floresta nos permita cuidar do planeta e dos brasileiros que vivem nela.”
O evento
A Expert XP, que chega à 15ª edição em 2025, acontece nesta sexta-feira e no sábado (26/7), na São Paulo Expo, na capital paulista. A expectativa dos organizadores é a de que o público supere os 45 mil participantes da edição anterior, em 2024.
Em edições anteriores, a Expert XP já contou com nomes como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, os ex-atletas Magic Johnson, Serena Williams e Tom Brady, além do historiador e filósofo israelense Yuval Harari, da ativista paquistanesa Malala Yousafzai e do economista e empresário Mohamed El-Erian.

















