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Negócios

Ata do Copom: Selic a 10,50% não tem prazo para cair

Segundo relato da última reunião do órgão do BC, a piora na expectativa de inflação foi crucial para manter os juros no atual patamar

25/06/2024 09:43, atualizado 25/06/2024 10:02
Raphael Ribeiro/BCB
imagem colorida com diretoria do Banco Central em reunião do Copom - Metrópoles

O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (25/6) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada entre os dias 18 e 19 de junho, na qual a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 10,50% ao ano. O documento não indica um horizonte para a redução desse percentual e cita como uma das principais justificativas para a decisão o fato de as expectativas de inflação terem apresentado uma “desancoragem” adicional no país.

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Isso significa que as estimativas em torno do aumento dos preços dos produtos estão cada vez mais distantes – ou seja, “desancoradas” – da meta de inflação, que é de 3%. Em relação ao cenário doméstico, a ata menciona que o mercado de trabalho e a atividade econômica, em particular o consumo das famílias, têm surpreendido e divergido do cenário de desaceleração previsto para a inflação.

“Além disso, houve nova elevação das projeções de inflação tanto para 2024 quanto para 2025”, diz a ata. “De forma análoga, as expectativas de inflação apresentaram desancoragem adicional desde a reunião anterior.”

Questão fiscal

Ainda em relação ao ambiente interno, a ata cita como fatores preocupantes o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal” por parte do governo, “o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública”.

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A ata menciona que, durante a reunião, parte do debate se concentrou na trajetória mais recente dos preços, em que a inflação de bens industriais e de alimentação no domicílio deixa de contribuir para a desinflação nesse estágio do processo de queda da inflação. “Concomitante a isso, a inflação de serviços, que tem maior inércia, assume papel preponderante na dinâmica desinflacionária no estágio atual”, diz o texto.

Rio Grande do Sul

O documento menciona que alguns membros do Copom mostraram ainda “maior preocupação com a inflação de alimentos no curto prazo, destacando não só o efeito das enchentes do Rio Grande do Sul, como também as revisões nos preços de alimentos em outras regiões”.

No ambiente externo, seguem as preocupações com a manutenção dos juros altos nos Estados Unidos, fixados no intervalo de  5,25% e 5,50%, o maior patamar desde 2001. 

Tempo indeterminado

Conclui a ata: “A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, ampliação da desancoragem das expectativas de inflação e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”.

Por fim, afirma o texto, “a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.