Andrade Gutierrez faz novo pedido de recuperação extrajudicial
As dívidas da Andrade Gutierrez são avaliadas em R$ 3,4 bilhões. Segundo o grupo, o pedido já foi acolhido por mais de 70% dos credores
atualizado
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A Andrade Gutierrez, que foi um dos principais alvos da Operação Lava Jato, apresentou um novo pedido de recuperação extrajudicial. O documento foi protocolado na última terça-feira (19/5) na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte.
Trata-se do segundo pedido de recuperação extrajudicial do conglomerado em três anos e meio – o primeiro acordo foi feito em 2022. As dívidas do grupo são avaliadas em R$ 3,4 bilhões.
De acordo com a Andrade Gutierrez, o pedido já foi acolhido por mais de 70% dos credores – percentual mínimo necessário para que seja homologado pela Justiça.
Entenda
- Recuperação extrajudicial é um instrumento jurídico que permite a uma empresa que passa por dificuldades financeiras negociar diretamente com seus credores para reestruturar suas dívidas fora do sistema judicial tradicional.
- Trata-se, em linhas gerais, de uma alternativa mais rápida e menos onerosa do que a recuperação judicial, que pode ser homologada pelo juiz para conferir segurança jurídica ao acordo.
- A recuperação judicial, por sua vez, é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários.
- Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação.
O que diz a Andrade Gutierrez
No documento apresentado ao Judiciário, a empresa afirma que acumulou um prejuízo de mais de R$ 2 bilhões desde 2022. Ainda segundo a Andrade Gutierrez, as medidas de reestruturação adotadas na época tiveram êxito, mas “novas adversidades significativas (…) impactaram negativamente a capacidade de pagamento das requerentes com relação às dívidas que se busca reestruturar nesta recuperação extrajudicial.”
Um dos fatores que mais prejudicaram a companhia, segundo a própria Andrade Gutierrez, foi a interrupção de obras. Em dezembro de 2024, cerca de 47% da carteira de projetos do grupo estava paralisada ou postergada, o que acabou afetando diretamente o fluxo de caixa.
Outros fatores também são mencionados pela empresa, entre os quais a valorização do dólar no período, o que elevou “expressivamente” o custo de dívidas em moeda estrangeira, e o aumento da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic.
A companhia dividiu seu pedido de recuperação extrajudicial em dois planos. O primeiro, que reúne a maior parte das dívidas, envolve empresas no Brasil:
- AGE (Andrade Gutierrez Investimentos em Engenharia)
- AGCS (Andrade Gutierrez Construções e Serviços SA)
- AGIE (Andrade Gutierrez International SA).
O segundo diz respeito a créditos de AGINT, Zagope e Inzag, fundos com títulos emitidos pela Andrade Gutierrez no exterior.
Andrade Gutierrez
Duramente alvejada pela Lava Jato (2014-2021), a Andrade Gutierrez ainda é um dos maiores conglomerados multinacionais de engenharia e construção pesada da América Latina.
A companhia foi fundada em 1948, em Minas Gerais, e atua no Brasil e em mais de 40 países, com obras de grande porte nas áreas de mobilidade, energia, mineração, óleo e gás.