Zelensky diz que Rússia explora inverno para atacar energia ucraniana
Volodymyr Zelensky afirma que Moscou prioriza apagões e mísseis em meio ao frio extremo, enquanto evita avanços diplomáticos com EUA e Trump
atualizado
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de utilizar o inverno como arma de guerra ao intensificar ataques contra a infraestrutura energética do país. Em pronunciamento nesta quinta-feira (8/1), ele afirmou que Moscou tem priorizado ofensivas contra o sistema de energia em vez de avançar em negociações diplomáticas com os Estados Unidos e Donald Trump.
“No momento, a Rússia está apostando mais no inverno do que na diplomacia — em mísseis contra o nosso sistema energético, em vez de trabalhar com os Estados Unidos e chegar a acordos com o presidente Trump”, declarou.
As declarações ocorrem após uma série de ataques russos durante a noite de terça-feira (7/1), que atingiram principalmente as regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, no sudeste do país.
As ofensivas provocaram apagões generalizados, interromperam serviços essenciais e agravaram a situação humanitária em meio à queda acentuada das temperaturas.
Segundo o vice-primeiro-ministro ucraniano, Oleksiy Kuleba, mais de 1,7 milhão de residências enfrentaram problemas no abastecimento de água após os bombardeios. Embora a maior parte dos serviços tenha sido restabelecida, cerca de 20 mil pessoas seguem sem água e 250 mil permanecem sem aquecimento.
Negociações travadas
- No campo diplomático, Zelensky informou que a equipe de negociação ucraniana retorna ao país após reuniões com representantes dos Estados Unidos e da Europa.
- O acordo de garantias de segurança com Washington está pronto para ser assinado no mais alto nível, assim como documentos voltados à recuperação econômica da Ucrânia em um formato trilateral envolvendo Kiev, EUA e União Europeia.
- Para o ucraniano, o avanço dessas tratativas depende de uma resposta clara de Moscou.
- “A equipe americana precisa saber o que a Rússia está disposta a fazer e se realmente quer pôr fim à guerra. Acreditamos que apenas a pressão será capaz de produzir resultados”, disse.
Um dos cenários mais críticos desde o início do conflito
O prefeito de Dnipro, Borys Filatov, classificou a situação como “emergência nacional”. Segundo o ucraniano, do ponto de vista técnico, a cidade enfrenta um dos cenários mais críticos desde o início da invasão russa, em 2022.
Apesar dos esforços, o presidente alertou para a possibilidade de novos ataques russos nas próximas horas e pediu que a população redobre a atenção aos alertas aéreos. “Os russos não mudaram nada. Eles estão tentando explorar as condições climáticas”, afirmou.
A ofensiva ocorre em um momento particularmente sensível, com previsão de temperaturas abaixo de -10 °C nos próximos dias.








