Vitória da direita em Portugal traz dificuldade para formar governo

Em mais um avanço da extrema direita na Europa, partido Chega elege 48 parlamentares em Portugal. Socialistas não querem coalizão

atualizado

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Aliança de Luis Montenegro (no centro), de direita, saiu vitoriosa nas eleições legislativas de Portugal
1 de 1 Aliança de Luis Montenegro (no centro), de direita, saiu vitoriosa nas eleições legislativas de Portugal - Foto: Stringer/Anadolu via Getty Images

Os conservadores da Aliança Democrática (AD), liderados por Luís Montenegro, venceram as eleições legislativas em Portugal nesse domingo (10/03), superando por margem apertada o Partido Socialista (PS), de Pedro Nuno Santos, em um pleito marcado pelo avanço da extrema direita.

Com 99,1% dos votos apurados, a AD conquistou 79 das 230 cadeiras no Parlamento, seguida de perto pelos socialistas, com 77.

O partido de ultradireita Chega foi o grande destaque nas eleições ao se tornar a terceira maior força política do país, elegendo 48 parlamentares – quatro vezes mais do que os 12 que havia conquistado nas eleições de 2022.

Montenegro disse acreditar que o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, lhe incumbirá de formar o próximo governo antes de 15 de março. Ele deixou clara sua rejeição a um possível acordo com o Chega, o que lhe possibilitaria uma maioria parlamentar absoluta.

Durante a campanha eleitoral, Montenegro afirmou em várias ocasiões que não tinha qualquer intenção de selar um pacto com o Chega, liderado por André Ventura. No domingo, ao ser novamente questionado sobre essa possibilidade, ele disse que irá cumprir sua palavra.

“Penso que o povo português também disse que é necessário que os partidos políticos, sobretudo os que têm representação parlamentar, deem mais prioridade ao diálogo e à concertação entre dirigentes e partidos”, afirmou Montenegro na madrugada desta segunda-feira, após o líder do PS, Pedro Nuno Santos, admitir a derrota nas urnas.

Dificuldade para formar governo

Formar um governo não será tarefa fácil, pois durante a campanha eleitoral o líder do PS descartou apoiar um governo da AD. Montenegro, porém, apelou para o senso de responsabilidade de “todos aqueles que vão ter assento na Assembleia da República (Parlamento)”.

“Todos têm a obrigação de dar ao país as condições de governabilidade. Não me eximo do [papel] principal, mas exijo que os outros cumpram a palavra do povo português”, afirmou Montenegro.

O resultado marca o início de uma nova etapa na política portuguesa, agora com três forças políticas, depois de os dois principais partidos terem se alternando no poder ao longo de 50 anos, e põe fim a um período de oito anos da esquerda à frente do governo.

Guinada à direita

O eleitorado de Portugal totaliza 10,8 milhões. Os resultados preliminares já apontavam para uma guinada ao conservadorismo se somados os votos da AD e do Chega, após mais de oito anos sob o primeiro-ministro socialista António Costa.

Com os resultados, nem a AD nem o PS têm maioria para formar governo, tornando necessária uma coalizão. O Chega almeja uma inédita participação no governo, mas essa alternativa foi rechaçada por Montenegro.

Os números também mostraram o fracasso dos socialistas, que em 2022 haviam conquistado a maioria absoluta de 120 dos 230 assentos, obtidos com 41,37% dos votos.

As eleições legislativas foram antecipadas em dois anos em Portugal depois de Costa ter entregado o cargo devido a uma investigação anticorrupção que atingiu alguns de seus aliados próximos.

Ascensão do Chega

A ascensão do Chega marca o mais recente avanço do populismo na Europa. Legendas ultradireitistas lideram coalizões de governo na Itália, na Hungria e na Eslováquia e viram sua popularidade aumentar nos últimos anos na Alemanha e na França.

Liderado por André Ventura, o Chega tem uma plataforma política ancorada nos temas tradicionais de partidos populistas e de ultradireita ocidentais: mobilização do discurso anticorrupção, temas da “guerra cultural”, como aborto e direitos LGBT, e críticas a imigrantes, com promessas de restringir a imigração.

Apesar das críticas frequentes de Ventura à imigração e da disparada de denúncias de xenofobia contra brasileiros – os casos registrados subiram 833% de 2017 a 2022 – a comunidade brasileira com direito a voto em Portugal é parte da base eleitoral do Chega.

No total, ela compõe de 4% a 8% dos habitantes do país europeu, incluindo os imigrantes regularizados e irregulares e os portadores de dupla cidadania.

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