Veja o que se sabe do resgate histórico de aviador dos EUA no Irã

Operação complexa teve campanha de desinformação para enganar Teerã e participação da unidade da Marinha que matou Osama Bin Laden

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images
Donald Trump e a bandeira do Irã
1 de 1 Donald Trump e a bandeira do Irã - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (5/4) o resgate dramático de um aviador abatido de um caça que caiu sobre o Irã, em uma operação que ele descreveu como uma das “mais audaciosas da história” do país. Teerã, entretanto, alegou que a missão foi “frustrada”.

Os fatos permanecem envoltos na névoa da guerra, enquanto as redes sociais foram imediatamente inundadas com imagens enganosas ou falsas.

Eis o que se sabe, com base em declarações públicas e reportagens da mídia:

Quem é o aviador

Pouco se sabe sobre a identidade, mas ele era o operador de sistemas de armas sentado atrás do piloto a bordo do avançado caça F-15E abatido na última sexta-feira.

O piloto teria sido resgatado por forças especiais em uma missão diurna na sexta-feira, logo após a queda da aeronave na acidentada província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste do Irã.

Após se ejetar, o especialista em armas desaparecido gritou “Deus é bom” pelo rádio, aparentemente refletindo suas firmes crenças religiosas, informou o site de notícias Axios, citando Trump e autoridades americanas.

Os aviadores norte-americanos passam pelo chamado treinamento Sere — sigla em inglês para “Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga” — para o caso de terem que pousar em território hostil.

Os coletes de combate contêm um transmissor codificado por rádio/GPS para transmitir a posição, um dispositivo de comunicação, além de água, comida, material de primeiros socorros e uma pistola.

O aviador foi ferido após a ejeção, mas ainda conseguia andar, tendo escalado, segundo relatos, uma montanha por 2.100 metros antes de se esconder em uma fenda, de acordo com o jornal The New York Times e o portal Axios.

Trump escreveu no domingo que ele havia sido “gravemente ferido”. A emissora CBS News disse que ele havia sido transportado para o Kuwait.

Como se desenrolou a missão de resgate

As autoridades iranianas imediatamente instaram a população local e membros de tribos a se juntarem às forças de segurança na busca pelo aviador, percebendo o potencial valor político e militar de capturá-lo vivo.

Isso desencadeou uma corrida durante o fim de semana, com imagens postadas nas redes sociais de aeronaves e helicópteros dos EUA voando baixo sobre o Irã.

A agência de inteligência americana CIA desempenhou um papel fundamental na localização e lançou uma “campanha de desinformação”, com o objetivo de convencer as autoridades iranianas de que ele já havia sido descoberto, informaram o The New York Times e o Financial Times.

A operação de resgate, iniciada na madrugada de sábado para domingo, envolveu “dezenas de aeronaves”, segundo Trump, e centenas de soldados de operações especiais, incluindo comandos do Seal Team 6 da Marinha, de acordo com reportagens da mídia norte-americana.

A unidade de resgate de reféns e contraterrorismo da Marinha dos Estados Unidos, mais conhecida por participar da operação de 2011 que matou o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, foi encarregada de resgatar o aviador, enquanto aeronaves de ataque forneciam cobertura, acrescentou o The New York Times, citando fontes não identificadas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira que Trump “expressou seu apreço pela ajuda de Israel” na missão de resgate, sem fornecer detalhes sobre o papel daquele país.

O aviador foi resgatado quando as forças iranianas convergiam para o local e as forças norte-americanas dispararam suas armas para mantê-las afastadas, segundo relatos.

Trump afirmou que nenhuma vida americana foi perdida.

O que diz o Irã

Embora os militares iranianos afirmem que a operação americana foi “completamente frustrada”, não deram um relato completo dos acontecimentos.

Na noite de domingo, a agência de notícias Isna publicou uma foto divulgada pela Guarda Revolucionária que supostamente mostrava o “crânio de um soldado americano em meio aos destroços de um avião destruído”.

A Guarda não forneceu mais informações, exceto para acrescentar “mais uma prova da humilhante derrota do mentiroso Trump”.

O porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaghari, disse à mídia estatal que as forças americanas usaram um aeroporto abandonado na província de Isfahan, que fica a noroeste da área onde o aviador se ejetou.

Ele disse que a aeronave estava participando de “uma missão de engano e fuga… sob o pretexto de resgatar o piloto de uma aeronave abatida”.

A mídia estatal iraniana transmitiu imagens dos destroços carbonizados do que parece ser um avião em uma área desértica, enquanto autoridades afirmaram que dois aviões de transporte militar C-130 e dois helicópteros Black Hawk foram destruídos.

Nas imagens, duas hélices e motores carbonizados podem ser vistos claramente, com especialistas em geolocalização de código aberto afirmando que as imagens foram feitas a cerca de 50 quilômetros (30 milhas) ao sul da cidade de Isfahan.

O Wall Street Journal e outros veículos de mídia dos EUA, citando autoridades não identificadas, relataram que as forças americanas explodiram dois C-130 depois que eles ficaram presos, a fim de evitar que caíssem em mãos iranianas, com outras aeronaves sendo enviadas para levar as equipes de resgate para um local seguro.

O governador da província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad disse à agência de notícias Mehr que cinco pessoas morreram e sete ficaram feridas na área montanhosa de Kuh-e Siah.

Mas o governador Iraj Kazemijou negou as notícias de que forças americanas haviam pousado na região, dizendo que eram “completamente falsas”.

Leia mais em DW, parceiro do Metrópoles.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?