Compartilhar notícia

A pista da base aérea britânica em Akrotiri, no Chipre, foi atingida por um drone, segundo a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, nesta segunda-feira (2). “Este foi um ataque com drone não tripulado, direcionado especificamente à pista”, afirmou Cooper à Sky News.
Ela acrescentou que “todas as medidas de precaução estão sendo tomadas ao redor da base”. Uma outra fonte do governo britânico havia informado, no início da noite, que não houve vítimas. Pouco antes, o presidente cipriota, Nikos Christodoulides, disse que um drone iraniano caiu por volta da meia-noite (19h em Brasília) na base britânica, causando “danos materiais leves”.
Akrotiri, um território ultramarino britânico desde a independência do Chipre em 1960, é a maior base militar do Reino Unido na região. Londres reforçou recentemente a instalação com sistemas de defesa aérea, drones, radares e caças F-35.
Na noite de domingo, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que o Reino Unido autorizou os Estados Unidos a utilizarem bases militares britânicas em ações de defesa contra o Irã, destacando, entretanto, que Londres não participaria de “ações ofensivas no Irã”. “Todos nos lembramos dos erros cometidos no Iraque e aprendemos com eles”, disse Starmer.
O premiê acrescentou que “o Irã está atacando interesses britânicos e colocando seus cidadãos e aliados na região em grave perigo”. Para ele, “a única maneira de acabar com a ameaça é destruir os mísseis na origem – nos depósitos ou nos lançadores usados para dispará-los”.
A ministra Yvette Cooper afirmou que aproximadamente “300 mil cidadãos britânicos estão nos países do Golfo que agora são alvos do Irã”. Segundo ela, cerca de 102 mil britânicos haviam se registrado junto às autoridades até a manhã de segunda-feira, entre eles turistas, passageiros em trânsito, viajantes a negócios e residentes. Questionada sobre um possível plano de evacuação, Cooper declarou que “todas as opções possíveis” estão sendo consideradas.
UE e França mobilizadas
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta segunda-feira que a União Europeia está unida aos seus Estados-membros diante de “qualquer ameaça”. Ela reforçou que, embora a República do Chipre – atualmente na presidência rotativa do bloco – não tenha sido alvo direto, “a UE está coletivamente, firmemente e inequivocamente ao lado dos seus Estados-membros”. A declaração foi feita em mensagem publicada no X, após conversa com o presidente cipriota, Nikos Christodoulides.
Há pouco mais de 20 anos, Chipre aderiu à União Europeia, após 42 anos de negociações, tornando Nicosia a única capital dividida do bloco. A ilha mediterrânea, situada entre a Europa, a Ásia e o Oriente Médio, abriga duas comunidades – cipriota grega e cipriota turca – separadas por uma zona tampão desmilitarizada de quase 180 quilômetros, monitorada pela Força de Manutenção de Paz das Nações Unidas. A República de Chipre, no sul, é reconhecida pela comunidade internacional, enquanto a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte não integra o bloco europeu.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, declarou que o país está “pronto” para “participar” da defesa dos Estados do Golfo e da Jordânia, alvos dos recentes ataques aéreos iranianos, “em conformidade com os acordos que a vinculam aos seus parceiros e com o princípio da autodefesa coletiva”.
Ele acrescentou que, aos países deliberadamente atingidos por mísseis e drones da Guarda Revolucionária Islâmica – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia –, a França manifesta “total apoio e solidariedade” e está pronta para contribuir com sua defesa.
Leia a reportagem completa em RFI, parceiro do Metrópoles.
