Ucrânia: ex-braço direito de Zelensky é indiciado por corrupção
Aliado de Zelensky, Yermak é acusado por órgãos anticorrupção da Ucrânia de participação em esquema ligado a imóveis de luxo perto de Kiev
atualizado
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Andriy Yermak, ex-chefe de gabinete e principal aliado político do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi formalmente indiciado nesta segunda-feira (11/5) por suposto envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro investigado por órgãos anticorrupção ucranianos.
De acordo com a imprensa ucraniana, em um comunicado conjunto do Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e da Procuradoria Especializada Anticorrupção da Ucrânia (SAP), Yermak é acusado de integrar um grupo organizado responsável pela lavagem de cerca de 460 milhões de hryvnias — aproximadamente US$ 10,5 milhões — em projetos imobiliários de luxo nos arredores de Kiev.
As acusações foram apresentadas com base no artigo 209 do Código Penal ucraniano, que trata de lavagem de bens obtidos ilegalmente por organização criminosa ou em grande escala. A pena prevista pode chegar a 15 anos de prisão, além de confisco de patrimônio.
Até o momento, Yermak não foi preso e evita comentar acusações. “Comentarei quando a investigação estiver concluída”, afirmou.
Ele também negou possuir patrimônio incompatível com sua renda.
“Não tenho casa, apenas um apartamento e um carro”, declarou.
Questionado sobre supostos codinomes utilizados em gravações investigadas pelas autoridades, respondeu: “Meu nome é Andrey Yermak. Não tenho outro nome”.
Operação Midas
- O caso está ligado à chamada “Operação Midas”, investigação lançada em novembro de 2025 pelo NABU e pela SAP para apurar um grande esquema de corrupção envolvendo o setor energético e integrantes próximos ao governo Zelensky.
- O principal alvo inicial da operação foi Timur Mindich, ex-sócio e aliado político do presidente ucraniano.
Segundo investigadores, mais de mil horas de gravações feitas no apartamento de Mindich revelaram conversas sobre:
- Desvios de recursos públicos;
- Contratos milionários ligados ao setor de energia;
- Financiamento da produção de drones;
- Negociações políticas;
- Construção de mansões de luxo.
Trechos divulgados também mencionariam pessoas identificadas apenas como “Vova” e “Andrey”, interpretadas por investigadores e opositores como referências a Zelensky e Yermak.
Yermak foi demitido oficialmente do cargo de chefe de Gabinete da Presidência ucraniana em novembro do ano passado, horas depois de agentes anticorrupção realizarem buscas em sua residência e seus escritórios em Kiev.
Na ocasião, o governo ucraniano publicou decreto confirmando sua saída. “Destituir Andriy Borisovych Yermak do cargo de chefe do Gabinete da Presidência da Ucrânia”, dizia o documento oficial.
As buscas ocorreram após suspeitas de participação em desvios relacionados à estatal de energia nuclear Energoatom, investigada por suposto esquema envolvendo cerca de US$ 100 milhões.
Figura central do governo Zelensky
Yermak ocupava o cargo desde 2020 e era considerado uma das figuras mais poderosas da política ucraniana.
Além de coordenar decisões estratégicas do governo, ele liderava negociações diplomáticas com aliados ocidentais e chegou a comandar contatos relacionados às discussões de paz impulsionadas pelo governo de Donald Trump.






