Após encontro de três horas com Trump, Lula deixa Casa Branca
Presidentes do Brasil e EUA tiveram reunião privada no Salão Oval e almoçaram juntos, mas não deram declaração conjunta para a imprensa

Washington e Brasília – Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, dos Estados Unidos, se reuniram nesta quinta-feira (7/5) na Casa Branca, em Washington, para um encontro de trabalho que teve como pautas o combate ao crime organizado, questões comerciais, minerais críticos, entre outros temas. O encontro durou três horas, unindo uma reunião privada no Salão Oval e um almoço. Lula deixou a Casa Branca por volta de 15h17min (horário de Brasília).
O petista saiu da residência brasileira por volta das 12h (horário de Brasília) para ir à sede do governo norte-americano. O presidente brasileiro foi recebido por Trump na entrada com um tapete vermelho por vota de 12h15 (horário de Brasília).
Em seguida, ambos seguiram para o Salão Oval, onde fizeram uma reunião fechada. Após o encontro, estava prevista uma declaração conjunta para jornalistas antes do almoço dos dois. Mas o encontro acabou e ambos seguiram para o almoço. A declaração conjunta, prevista inicialmente por ambos os governos, acabou não sendo realizada após a reunião.
Acompanhe a cobertura do Metrópoles:
Assista ao momento da chegada de Lula na entrada da Casa Branca:
Ao chegar no local, Lula pediu para que a Casa Branca invertesse o protocolo de visitas de líderes estrangeiros, de modo que a imprensa só participasse após a reunião. Trump aceitou. Tradicionalmente, os jornalistas acompanham o início do encontro, mas, desta vez, só entrarão no Salão Oval depois da conversa com o presidente dos Estados Unidos.
O encontro dos dois líderes ocorre sete meses após a última reunião entre ambos, em outubro, na Malásia. Por parte do governo brasileiro, a prioridade é a discussão sobre a proposta de cooperação no combate ao crime organizado e a reversão de tarifas ainda pendentes a setores da economia brasileira.
Veja o momento em que Trump recebe Lula:
Lula publicou em suas redes sociais o momento em que Trump o recebeu na Casa Branca. Assista:
Havia expectativa também de que os chefes de Estado abordassem o tema da exploração de minerais críticos e terras raras. O Brasil possui grande reserva de minerais estratégicos e tem buscado ampliar alianças na área.
Nessa quarta (6/5), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto agora segue para o Senado.
Lula viajou aos EUA acompanhado de uma comitiva composta por:
- Dario Durigan, ministro da Fazenda;
- Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
- Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio;
- Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
- Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública; e
- Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Do lado americano, compõe a comitiva:
- JD Vance – vice-presidente dos EUA;
- Susan Wiles – chefe de gabinete da Casa Branca;
- Howard Lutnick – secretário de Comércio;
- Scott Bessent – secretário do Tesouro;
- Jamieson Greer – chefe do USTR (o órgão de comércio exterior do EUA).
Colaboração contra o crime organizado
Em dezembro, o governo brasileiro encaminhou ao Departamento de Estado proposta para reforçar a cooperação no combate ao crime organizado. A iniciativa inclui medidas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.
Segundo interlocutores, o foco do Brasil é justamente essa proposta, já em análise pelo governo norte-americano. Lula e os ministros brasileiros devem destacar, durante a reunião, as ações já realizadas pelo país nessa área. A expectativa é que Brasil e Estados Unidos avancem em um acordo de cooperação contra o crime organizado transnacional, tema que deve estar no centro das discussões entre os dois líderes.
O governo dos Estados Unidos avalia a possibilidade de enquadrar facções criminosas, a exemplo do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. O Palácio do Planalto rechaça a medida por entender que ela pode abrir brechas para interferências externas no país.


