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Críticas a Trump e temor do ICE tensionam Super Bowl com Bad Bunny

Críticas de Trump a Bad Bunny, endurecimento das ações do ICE e tensão com latinos transformam o Super Bowl em palco político

08/02/2026 02:00, atualizado 08/02/2026 14:22
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Arte Metrópoles/Gabriel Lucas
Imagem colorida de Donald Trump e Bad Bunny

Entre touchdowns, cifras e o maior espetáculo televisivo dos Estados Unidos, o Super Bowl LX chega neste domingo (8/2) sob clima de tensão política.  A escolha do cantor porto-riquenho Benito Antonio Martínez Ocasio, o Bad Bunny, como atração central do show do intervalo ocorre em meio a uma escalada das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a um discurso cada vez mais hostil da Casa Branca contra comunidades latinas.

Disputado no Levi’s Stadium, na Califórnia, a partida reunirá New England Patriots e Seattle Seahawks em campo. A presença do artista, conhecido por críticas abertas à política migratória norte-americana, provocou reação imediata do presidente.

Na época do anúncio da atração, o republicano classificou a escolha como “lamentável” e afirmou que eventos desse porte estariam sendo “instrumentalizados politicamente”.

Em resposta, Trump anunciou que não comparecerá ao jogo, reforçando o distanciamento simbólico entre o governo e uma parcela significativa da população latina.

ICE, medo e espaços públicos

Nos últimos meses, o ICE ampliou as operações em grandes centros urbanos, com ações ostensivas, detenções em massa e denúncias de abusos de autoridade.

Esse endurecimento criou um clima de medo generalizado, especialmente entre imigrantes e descendentes de latino-americanos, que passaram a evitar eventos públicos de grande visibilidade.

Nesse contexto, rumores sobre a possível atuação de agentes do ICE no entorno do Super Bowl circularam pela imprensa internacional acendendo alerta entre organizações de direitos humanos e ativistas migratórios.

Embora a NFL tenha afirmado ter recebido garantias de que não haverá operações migratórias associadas ao evento, o temor persiste — reflexo direto de uma política que, para muitos, normalizou a vigilância e a repressão como instrumentos de controle social.

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Donald Trump, presidente dos EUA
Bad Bunny
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Bad Bunny
Donald Trump
Bad Bunny no Grammy Awards 2026
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Bad Bunny no Grammy Awards 2026

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Donald Trump, presidente dos EUA

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Bad Bunny

John Nacion/Variety via Getty Images
Donald Trump
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Donald Trump

Kevin Dietsch/Getty Images

Retórica de Trump e a política do medo

  • Desde que reassumiu a Presidência, Trump retomou uma retórica dura contra a imigração, associando fluxos migratórios ao narcotráfico, à criminalidade e à perda de soberania.
  • Essa narrativa se traduz em ações concretas: fortalecimento do ICE, redução de garantias legais a imigrantes e uso sistemático do medo como ferramenta política.
  • O embate expõe uma disputa mais profunda sobre identidade nacional, pertencimento e quem tem o direito de ocupar o centro do espetáculo norte-americano.

Bad Bunny na equação

Astro da música latina, o papel de Bad Bunny no Super Bowl vai além do comando do show do intervalo — o porto-riquenho assume também como símbolo de resistência cultural.

Natural de Porto Rico — território dos EUA marcado por uma relação histórica de dependência e desigualdade —, o artista construiu a carreira denunciando o colonialismo, a marginalização latina e a criminalização dos imigrantes.

Recentemente, ao ser contemplado com um dos principais prêmios da indústria musical, o Grammy de Álbum do Ano, pelo disco Debí Tirar Más Fotos, Bad Bunny fez referências explícitas contra o ICE e defendeu a dignidade dos migrantes, ampliando o alcance político de sua música.

“Fora, ICE”, iniciou Benito. “Nós não somos selvagens, não somos animais. Somos seres humanos e somos americanos”, continuou.

“Quero dizer para as pessoas que estão assistindo, para não propagar o ódio. Estava pensando que às vezes a gente fica contaminado, e o ódio acaba se tornando mais poderoso quando você se agrega ao ódio. E a única coisa mais potente que o ódio é o amor”, completou o artista.

A obra de Bad Bunny também traz inúmeras referências à vida latina, à identidade cultural e às experiências de quem vive entre fronteiras.

Em faixas como Nuevayol, o artista exalta os imigrantes que vivem em Nova York e denuncia as dificuldades, o racismo e os preconceitos enfrentados por latino-americanos no país, retratando a cidade como um espaço construído também pelo trabalho, pela cultura e pela resistência dessas comunidades.

O videoclipe aprofunda esse discurso ao ironizar o republicano, ao incluir uma voz simulada de Trump pedindo desculpas pelas políticas anti-imigração e afirmando que os Estados Unidos “não são nada sem os mexicanos, dominicanos, porto-riquenhos, colombianos e venezuelanos”.

Além de Nuevayol, outras faixas abordam diversos temas, como pertencimento, desigualdade social, violência policial e apagamento cultural, consolidando o projeto como um dos trabalhos mais politizados da carreira de Bad Bunny.