Trump e Leão XIV: veja pontos de divergência entre os dois líderes

O mundo tem um novo papa que, pela primeira vez, é norte-americano. O pontífice diverge do presidente Donald Trump em alguns temas

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Com a escolha de Robert Francis Prevost para ser o novo papa, o mundo terá dois de seus maiores líderes, Leão XIV e o presidente Donald Trump,  nascidos nos Estados Unidos. A coincidência geopolítica para por aí, pois eles estão em desacordo em temas importantes, como imigração e justiça social. Ainda assim, adotam posições não tão diversas quando o assunto é a comunidade LGBTQIA+.

O internacionalista João Cândido destaca que “a convergência de lideranças tão influentes — uma na esfera política, outra na espiritual — concentra atenções aos EUA e pode redefinir agendas globais”.

“A interação entre essas forças tende a afetar temas como direitos humanos, migração, clima e até conflitos regionais. O impacto dependerá da disposição ao diálogo ou, ao contrário, do confronto de visões”, afirma o internacionalista.

João Candido explica que, apesar da influência direta sobre políticas internas dos EUA ser limitada, o papa exerce uma força simbólica e moral considerável, especialmente entre comunidades católicas e setores da diplomacia internacional.

“Sua posição crítica pode gerar pressão indireta, especialmente por meio da opinião pública global e da sociedade civil”, ressalta João Candido.

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Papa Leão XIV dá seu primeiro autógrafo e tira primeira selfie. Vídeo
Robert Prevost foi escolhido Papa em 8 de maio
Papa no Peru
Papa Leão XIV
Papa Leão XIV é o sucesso do Papa Francisco
Robert Prevost
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Papa Leão XIV dá seu primeiro autógrafo e tira primeira selfie. Vídeo

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Robert Prevost foi escolhido Papa em 8 de maio
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Robert Prevost foi escolhido Papa em 8 de maio

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Papa Leão XIV é o sucesso do Papa Francisco

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Foto do encontro do Papa Francisco com Papa Leão XIV
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Leão XIV, quando ainda era cardeal, e Francisco
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Francisco e Leão XIV
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O Vaticano não é contra IA
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Robert Prevost cumprimenta a população
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O mundo tem um novo papa. O colégio de cardeais elegeu o cardeal Robert Prevost, dos Estados Unidos, como próximo líder da Igreja Católica
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O mundo tem um novo papa. O colégio de cardeais elegeu o cardeal Robert Prevost, dos Estados Unidos, como próximo líder da Igreja Católica

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Trump de papa
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

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Presidente Donald Trump
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Presidente Donald Trump

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Questão migratória

Desde que surgiu na política norte-americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aponta que imigrantes ilegais são os causadores dos problemas dos EUA. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unido (ICE) deportou centenas de imigrantes desde o início do mandato do republicano.

Diante desse cenário, o então cardeal Prevost, em uma postagem em seu perfil no X, criticou a política migratória de Trump ao abordar sobre o caso de Kilmar Abrego Garcia, pai de três filhos com deficiência, deportado ilegalmente.

O imigrante salvadorenho vivia nos EUA há 14 anos e foi deportado pela administração trumpista acusado de ser membro da gangue MS-13. O caso, inclusive, chegou à Suprema Corte, que manteve a decisão da primeira instância que determinava o retorno de Kilmar. E, mesmo assim, o homem segue preso.

“Enquanto Trump e Bukele usam o Salão Oval para a deportação ilícita de um residente dos EUA pelos federais, o agora auxiliar de Washington, que já foi um salvadorenho sem documentos, pergunta: “Vocês não veem o sofrimento? A consciência de vocês não se incomoda? Como podem ficar em silêncio?”, escreveu o então cardeal no X.

Em relação as discordâncias com Trump, João Candido explica que “essa tensão pode se refletir em um aumento da polarização, mas também pode abrir espaço para debates mais profundos sobre direitos humanos e responsabilidade social. Igrejas, ONGs e até líderes políticos moderados podem se apoiar na posição do Papa para defender reformas mais humanas e inclusivas”.

Papa e imigração

Sérgio Ricardo Coutinho, doutor em História pela Universidade de Goiás e professor de história da igreja no Instituto São Boaventura dos Franciscanos Conventuais, explica que a ligação de Prevost com a questão da migração vem de sua origem, visto que ele vem de uma região dos Estados Unidos, Chicago, que foi construída também a partir de forte imigração italiana e também conta com a presença de latinos.

“A paróquia onde ele foi criado também tinha muitas comunidades latinas e isso, de certa forma, pode ser uma causa muito inicial da sua experiência pessoal em torno da questão da imigração. Depois, sua atuação na América do Sul, no Peru, também o levou a conhecer a migração interna, da população que sai do campo para cidade, o êxodo rural”, explica Sérgio.

O teólogo destaca, ainda, que no Peru “a gente não pode esquecer do Sendero Luminoso, que também forçou muitos camponeses, os campesinos que eles falam, a migrarem pra outras regiões, fugindo dos conflitos armados internos”.

“Ele passou anos e anos também na Europa, como superior dos agostinianos, acompanhando toda essa migração que vem tanto do Leste Europeu, como também da África, do Saara e da África subsaariana. Os migrantes vindos da Síria, ou de Beirute, na faixa de Gaza, fugindo das guerras. É uma pessoa antenada com essa temática da migração, e ele se coloca fortemente, ou pelo menos firmemente, contra essa política atual do Donald Trump”, afirma Sérgio.

Justiça social e meio ambiente

Papa Francisco e Leão XIV eram próximos. Muito por compartilharem visões parecidas em relação à justiça social. Em 2014, Francisco reconheceu o trabalho missionário de Prevost no Peru e o nomeou administrador apostólico da Diocese de Chiclayo.

Ele já demonstrou alinhamento com as principais encíclicas do pontífice argentino, como Laudato si’, que denuncia a destruição ambiental causada por sistemas econômicos predatórios, e Evangelii Gaudium, que propõe uma evangelização voltada para os mais pobres e excluídos.

João Candido destaca que “temas como justiça econômica, combate à pobreza, mudanças climáticas, comércio de armas e saúde pública são pontos de divergência histórica entre o Vaticano e políticas de viés mais nacionalista. O papa tende a adotar uma postura universalista, enquanto Trump representa uma visão centrada nos interesses americanos”.

O especialista destaca que o papa não consegue pressionar diretamente Trump. “Mas pode mobilizar líderes religiosos, acadêmicos, movimentos sociais e até atores diplomáticos a se posicionarem com mais firmeza. O poder do Papa é sobretudo moral e simbólico — e, nesse campo, ele tem potencial para influenciar o debate público e pautar a agenda internacional.”

População LGBTQIA+

Um assunto que colocou o papa Francisco no campo mais progressivo da Igreja Católica foi a aceitação de pessoas LGBTs na Igreja. Em 2013, ele chegou a questionar: “Quem sou eu para julgar?”. Posição divergente daquela de Leão XIV, que assim como Trump se posiciona com restrições em relação aos direitos civis de parcela da população.

Leão XIV, em um discurso aos bispos em 2012, acusou a mídia e a cultura popular de encorajar “simpatia por crenças e práticas que estão em desacordo com o Evangelho”. Entre as “crenças e práticas” citadas por Prevost estavam o “estilo de vida homossexual” e “famílias alternativas compostas por parceiros do mesmo sexo e seus filhos adotivos”.

O novo papa, enquanto era bispo de Chiclayo, no Peru, se opôs a uma iniciativa do governo para promover estudos de gênero nas escolas. “A promoção da ideologia de gênero é confusa, porque busca criar gêneros que não existem”, disse ele.

Trump, no segundo mandato, já tomou diversas medidas para  retirar pessoas trans das Forças Armadas e de disputas esportivas. Sua administração chegou a proibir o tratamento de correção de gênero para menores de idade.

Diante disso, o internacionalista explica que “essa convergência pode reforçar movimentos conservadores e legislações que limitam os direitos da população LGBT em algumas regiões do mundo. Ao mesmo tempo, pode gerar uma reação forte por parte de organizações internacionais, governos progressistas e a própria sociedade civil, aumentando o embate político e cultural em nível global”.

O teólogo Sérgio Ricardo Coutinho destaca que essa é uma posição muito delicada. “Isso não significa que é uma coisa passiva, já resolvida na igreja, são gestos proféticos, ou seja, um gesto que vai além do que se espera, além do que, pelo menos vindo da igreja católica, se espera sempre a negativa, a recusa, a, vamos dizer assim, algum tipo de reação moral contra essas práticas”, destaca Sérgio.

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