Sobrevoo de drones faz Dinamarca suspeitar de ação da Rússia

As aeronaves não tripuladas foram vistas nos aeroportos de Aalborg (norte), Esbjerg (oeste), Sonderborg (sul) e na base aérea de Skrydstrup

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Martin Sylvest Andersen / Getty Images
O chefe do Estado-Maior da Dinamarca, Michael Hyldgaard
1 de 1 O chefe do Estado-Maior da Dinamarca, Michael Hyldgaard - Foto: Martin Sylvest Andersen / Getty Images

A Dinamarca identificou uma “ameaça sistemática” após drones não identificados sobrevoarem aeroportos civis e militares por duas noites seguidas. O governo atribui os voos a um “agente profissional” e investiga possível conexão com ações russas recentes na Europa. Embora não haja ameaça militar direta, o país reforça medidas de segurança e alerta para o risco de ataques híbridos às vésperas de um encontro da União Europeia em Copenhague.

Os drones foram vistos nos aeroportos de Aalborg (norte), Esbjerg (oeste), Sonderborg (sul) e na base aérea de Skrydstrup, antes de se afastarem por conta própria, segundo a polícia.

Na segunda-feira (22/9), drones não identificados já haviam sobrevoado o aeroporto de Copenhague e o de Oslo, na Noruega, interrompendo o tráfego aéreo por várias horas. Os episódios ocorrem após incursões de drones russos na Polônia e Romênia, e de caças russos no espaço aéreo da Estônia, embora autoridades dinamarquesas e europeias ainda não tenham estabelecido ligação entre os casos.

O governo dinamarquês, que afirma não haver “ameaça militar direta”, anunciou a aquisição de novos sistemas para detectar e neutralizar drones.

“O objetivo desse tipo de ataque híbrido é espalhar medo, dividir e nos intimidar”, declarou o ministro da Justiça, Peter Hummelgaard.

Membro da Otan, a Dinamarca receberá na próxima semana líderes da União Europeia para um encontro em Copenhague. O aeroporto de Aalborg, um dos maiores do país, foi fechado temporariamente, mas reabriu horas depois. Após uma “avaliação geral da situação”, polícia e Forças Armadas decidiram não abater os drones, por questões de segurança civil, informou o chefe do Estado-Maior, Michael Hyldgaard.

A polícia afirmou que os drones tinham luzes e foram observados do solo, mas não conseguiu identificar o modelo nem os operadores. Os aeroportos de Esbjerg e Sonderborg não foram fechados, pois não havia voos previstos.

Rússia é suspeita

Uma investigação foi aberta com apoio dos serviços de inteligência e das Forças Armadas para esclarecer os sobrevoos. Após o incidente em Copenhague, a primeira-ministra Mette Frederiksen classificou o episódio como “o ataque mais grave contra uma infraestrutura crítica” no país, sem descartar envolvimento da Rússia.

Mette Frederiksen relacionou o caso a outras ações recentes, como ataques de drones, violações de espaço aéreo e ciberataques contra aeroportos europeus. Polônia, Romênia e Estônia — todos membros da Otan — responsabilizaram a Rússia, que negou envolvimento. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, chamou as acusações de “infundadas”.

Os incidentes ocorrem uma semana após o anúncio de que a Dinamarca comprará, pela primeira vez, armas de precisão de longo alcance, alegando que a Rússia representa uma ameaça “duradoura”. No último fim de semana, aeroportos em Bruxelas, Londres, Berlim e Dublin também foram afetados por um ciberataque cuja origem não foi revelada.

A reação da Otan

A Otan intensifica esforços para enfrentar a ameaça crescente de drones e interferências em sinais de GPS na Europa. Além das incursões registradas na Dinamarca, Polônia e Romênia, navios e aviões têm sofrido tentativas coordenadas de bloqueio, gerando preocupação nas autoridades.

“Os sinais de GPS, fundamentais para o posicionamento via satélite e cruciais para a navegação, são alvo frequente de tentativas de interferência. Por isso, a Otan está testando um sistema pioneiro que permite manter a qualidade do sinal mesmo em ambientes hostis, explica o capitão de fragata Julien Dechanet, responsável pela divisão Cibernética do Comando Aliado de Transformação (ACT). “No que diz respeito à proteção dos navios, vemos que nossas embarcações são tão resilientes que é extremamente difícil bloqueá-las completamente”, afirma.

Diante da pressão, a Aliança atlântica revisou sua estratégia e buscou parcerias com startups europeias especializadas em soluções antidrone, algumas já utilizadas pelas forças ucranianas. “Fui até elas e perguntei se podiam trabalhar conosco e adaptar seus equipamentos”, disse Dechanet à RFI.

O grande desafio é inovar para evitar o uso de armamentos de alto espectro — que são limitados — contra simples drones. “Hoje, vence a guerra quem consegue inovar mais rápido. A cada nova ameaça, o objetivo é sempre inovar antes do adversário. E, na prática, são as inovações pontuais, rápidas e de baixo custo que nos permitem enfrentar essas ameaças e, depois, desenvolver soluções duradouras. Mas tudo começa pela inovação. Surge uma nova ameaça, adaptamos rapidamente, inovamos e então conseguimos neutralizá-la”, explica.

Leia mais em RFI, parceira do Metrópoles.

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