Sem “vice-papa”, Leão XIV seguirá à frente da Igreja durante internação
Leão XIV passou por cirurgia para retirar parte do pulmão direito, e exame confirmou adenocarcinoma. Vaticano não prevê substituto

O papa Leão XIV continuará à frente da Igreja Católica durante a internação e o período de recuperação após uma cirurgia para retirar o lobo inferior do pulmão direito. O procedimento, realizado nesta terça-feira (13/10), no hospital Gemelli, em Roma, na Itália, foi concluído sem complicações.
Exames feitos durante a operação confirmaram o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer que se desenvolve nas células glandulares do pulmão.
Igreja não terá substituto para o papa
A hospitalização de Leão XIV não altera a estrutura de governo da Igreja Católica. Não há previsão de nomeação de um substituto temporário, nem de criação de uma espécie de regência para administrar o Vaticano durante a recuperação do pontífice.
A regra está relacionada à própria organização jurídica da Igreja. O cânone 331 do Código de Direito Canônico estabelece que o bispo de Roma exerce, em razão de seu ofício, poder supremo, pleno, imediato e universal sobre a Igreja.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Sé Apostólica só fica vacante — situação em que o cargo de papa está oficialmente desocupado — em caso de morte ou renúncia do pontífice. Foi o que ocorreu em 2013, quando Bento XVI renunciou ao papado, dando início ao processo que culminou na eleição de Francisco.
Enquanto o papa está vivo e mantém suas funções, a autoridade permanece com ele, mesmo durante uma internação. Os organismos da Cúria Romana, estrutura administrativa central da Igreja, continuam exercendo suas atribuições em nome do pontífice e sob sua autoridade.
A Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, que organiza o funcionamento da Cúria, prevê justamente essa atuação dos dicastérios — órgãos responsáveis por diferentes áreas da administração eclesiástica. As atividades regulares podem prosseguir durante a hospitalização, enquanto decisões de maior relevância continuam dependendo da participação do papa, quando necessário.
O Código de Direito Canônico também menciona a possibilidade de impedimento da Sé Apostólica, uma situação distinta de uma internação comum. O tema já foi considerado por pontífices que deixaram orientações para situações extremas nas quais uma doença grave pudesse comprometer a capacidade de exercer o cargo. Esse cenário, contudo, não corresponde automaticamente ao caso de Leão XIV.
Cirurgia foi anunciada no domingo
O pontífice anunciou aos fiéis, no domingo (11/10), que exames haviam identificado um nódulo no pulmão e que os médicos recomendavam a retirada da lesão, detectada inicialmente. Ele confirmou que passaria pela cirurgia e agradeceu as manifestações de apoio, além de pedir orações durante o tratamento.
Realizada nesta terça-feira (13/10), a operação durou cerca de 90 minutos e consistiu na retirada do lobo inferior do pulmão direito por meio de uma técnica videoassistida. Segundo a Santa Sé, o procedimento foi bem-sucedido, sem complicações, e o papa despertou normalmente antes de retornar ao quarto do hospital.
O exame realizado durante a intervenção confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, já suspeitado nos exames pré-operatórios. A recuperação deve levar aproximadamente uma semana, e os compromissos públicos do pontífice foram cancelados até 20 de outubro.






