Sarkozy descreve prisão: “Muito difícil, exaustivo, um pesadelo”
Tribunal de Apelação de Paris julga, nesta segunda, o pedido de libertação do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, preso há 3 semanas
atualizado
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O tempo passado na prisão é “muito difícil”, “exaustivo” e “um pesadelo”. A declaração é de Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, que nesta segunda-feira (10/11) esteve em audiência perante o Tribunal de Apelação de Paris com um pedido de libertação. “É difícil, é muito difícil, certamente é para todos os presos, eu diria até que é exaustivo”, disse o ex-presidente, convidado a falar ao final da audiência, que durou pouco menos de uma hora.
Condenado em 25 de setembro a cinco anos de prisão por conspiração no julgamento líbio, Nicolas Sarkozy admitiu que “nunca imaginou esperar 70 anos para vivenciar a prisão”.
“Quero prestar homenagem aos funcionários da prisão que demonstraram uma humanidade excepcional e que tornaram este pesadelo — porque é um pesadelo — suportável”, continuou ele, com semblante sombrio, participando por videoconferência da prisão de La Santé, em Paris.
O tribunal julga, nesta segunda, o pedido de libertação do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que aguarda o julgamento do recurso. A audiência ocorre menos de três semanas depois de o ex-presidente começar a cumprir uma pena de cinco anos de prisão por conspiração.
Sarkozy é o primeiro ex-chefe de Estado francês desde a Segunda Guerra Mundial a ser preso. Ele foi condenado a cinco anos de prisão por associação criminosa, no caso que investiga o suposto financiamento líbio de sua campanha presidencial de 2007.
Prisão
- O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi condenado pela Justiça da França por formação de quadrilha no caso de financiamento ilegal da campanha de 2007, envolvendo Muammar Kadhafi, ex-presidente da Líbia, mas foi absolvido da acusação de corrupção.
- O tribunal afirmou que Sarkozy favoreceu a reintegração da Líbia no cenário internacional e prometeu absolver Abdallah Senoussi, cunhado de Kadhafi, condenado à prisão perpétua pelo atentado ao voo DC-10 da UTA, que matou 170 pessoas em 1989.
- Até o último momento da condenação, Sarkozy manteve a alegação de inocência, afirmou que não há provas contra ele e anunciou que recorrerá da sentença.
Segundo a mídia local, os procuradores franceses solicitaram a libertação de Sarkozy. Em audiência, o procurador Damien Brunet afirmou: “Os riscos de conluio e pressão sobre as testemunhas justificam o pedido de libertação sob supervisão judicial.”
O tribunal ouviu Sarkozy, a defesa e o Ministério Público, e anunciou que divulgará a decisão no período da tarde.
Caso o pedido seja aceito, Sarkozy deixará a prisão de La Santé, em Paris. Segundo a mídia francesa, a lei do país estabelece que a prisão antes da decisão de um recurso é uma medida excepcional.






