Reviravolta na Bolívia: tribunal dá vitória a Evo no 1º turno

Tribunal Supremo Eleitoral descarta contagem voto a voto, retoma checagem rápida e anuncia reeleição do presidente. Opositor não reconhece

Freddy Zarco/ ABI

atualizado 21/10/2019 23:18

Um dia após suspender a contagem rápida de votos que havia adotado, pressionado por denúncias de fraude, o Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia decidiu na noite desta segunda-feira (21/10/2019) retomar o método e desistir da contagem manual voto a voto. Com isso, às 21h30 (no horário de Brasília), anunciou que o presidente Evo Morales ganhou o quarto mandato no primeiro turno.

O anúncio provocou imediatos protestos dos aliados do candidato opositor, Carlos Mesa, nas ruas em volta do tribunal. O próprio rival de Evo anunciou em seguida que não reconhece o resultado. No anúncio, a Corte afirmou que, com 95,22% das atas de votação checadas (o método rápido), o atual presidente tinha 46,86% dos votos contra 36,73% de Mesa. O resultado seria suficiente para garantir a vitória em primeiro turno porque as regras locais estipulam que, para se eleger sem necessidade de uma segunda ida às urnas, é preciso obter maioria absoluta (50% dos votos mais um) ou um índice acima de 40% desde que acompanhado por diferença de dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado.

No domingo (20/10/2019), quando a apuração do modelo acelerado foi interrompido com 83% das atas checadas, a tendência era de necessidade de segundo turno entre Evo, com 45,28%, e Mesa, com 38,1% – diferença, portanto, de 7,18 pontos percentuais, bem abaixo dos 10 pontos necessários pela legislação.

Na contagem mais lenta, feita voto a voto, que começou nesta segunda-feira, com mais da metade dos votos apurados (60,91%) até às 21h45 do horário de Brasília, Evo e Mesa estavam tecnicamente empatados, com o opositor levemente à frente: Evo tinha 42,3% contra 42,55% de Mesa.

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