Resistência Islâmica do Iraque recusa desarmamento após EUA sair do país
Desarmamento de grupos no Iraque faz parte de um acordo com os EUA para a retirada de tropas norte-americanas do país

A Resistência Islâmica do Iraque (IRI) afirmou que não vai abaixar as armas, mesmo após a retirada de tropas dos Estados Unidos do território iraquiano. A manifestação da coalizão de milícias, apoiadas pelo Irã, foi divulgada nesta quarta-feira (30/9).
Segundo o grupo, a decisão ocorre após o governo iraquiano não responder a uma proposta enviada há mais de quarenta dias. Nela, a coalizão disse ter aceitado o “processo de organização das armas”, mas exigiu o direito de responder militarmente a qualquer “violação ou agressão americana ou israelense à soberania do Iraque”.
“As armas da Resistência permanecerão sob a guarda de nossos mujahidin [combatentes] e, como sempre, sua bússola continuará apontada contra qualquer inimigo que vise o Iraque e seu povo”, disse a coalizão. “Ao mesmo tempo, nossas portas permanecerão abertas a qualquer diálogo que garanta a soberania, a dignidade e a libertação do Iraque da hegemonia da América, do mal, do crime e da tirania”.
Com cerca de 50 a 70 mil soldados, a Resistência Islâmica do Iraque foi criada oficialmente em 2023, após o início da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. O objetivo da coalizão, que reúne grupos xiitas armados que atuaram no território iraquiano contra a ocupação dos EUA, era prestar apoio aos palestinos.
Grupos como o Kataib Hezbollah, Harakat Hezbollah al-Nujaba, Kataib Sayyid al-Shuhada e Ansar Allah al-Awfiya compõem a organização. Os mesmo também já operaram sob o guarda-chuva das Forças de Mobilização Popular (PMF), criadas com o objetivo de combater o avanço do Estado Islâmico (ISIS) no Iraque a partir de 2014.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesComposta por cerca de 60 milícias e grupos, as PMF passaram a integrar tais organização às forças de segurança iraquianas.
No entanto, um acordo assinado em 2024 pelos EUA e Iraque previa o desarmamento das facções que compõem as PMF. Em troca, Bagdá prometeu integrar os combatentes dos grupos nas estruturas de segurança do Iraque.
Fim da ocupação militar dos EUA
O desarmamento de facções iraquianas, principalmente as ligadas ao Irã, é uma das condições do pacto firmado durante o governo Joe Biden que culminou na retirada militar norte-americana do Iraque. As últimas tropas dos EUA deixaram o país nesta quarta-feira (30/9).
Militares norte-americanos estavam no território iraquiano desde 2014, quando uma coalizão internacional foi criada por Washington para combater o ISIS.
Antes disso, forças dos EUA ocuparam o Iraque entre 2003 e 2011, após o ex-presidente George W. Bush ordenar a invasão do país.



