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Em Nova York, votar nas eleições de meio mandato presidencial de 2018 não é somente escolher um candidato ao Congresso ou ao governo. É, principalmente, deixar claro o descontentamento com a administração de Donald Trump e sua retórica, considerada desagregadora.

A cidade e o estado são reconhecidamente um reduto democrata e progressista. Atualmente, o prefeito Bill de Blasio e o governador Andrew Cuomo, que busca seu um terceiro mandato nesta terça-feira (6/11) pertencem ao Partido Democrata.

Cuomo, particularmente, tem sido uma voz ativa a criticar o presidente americano. Ele já afirmou que Nova York será a resistência contra as medidas do republicano.

Esse sentimento encontra eco em Eloise Parrish, 74 anos, que votou nesta terça num colégio no Harlem, região que reúne cerca de 230 mil habitantes, a maioria negra ou hispânica.

“Da forma como esse país está agora, precisamos de uma mudança. E meu voto serve para algo. A retórica do presidente Trump está dividindo essa nação e esse país. Nós estamos nisso juntos e podemos mudar isso”, afirma.

Ela diz votar desde que tem 18 anos, idade mínima legal nos EUA. “Esse país está muito dividido. Eu cresci quando a segregação estava terminando e sempre fui ensinada a tratar as pessoas do jeito que eu queria ser tratada e como amar os outros”, ressalta.

Lado negro e o branco
Naimatu Mohammed, 35 anos, avalia que a divisão nos EUA piorou desde que o republicano assumiu, em janeiro de 2017. “Esse país está cheio de ódio, tem muita discriminação, é um país dividido em dois. Temos o lado negro e o branco”, diz.

“Eu quero votar porque as coisas que estão acontecendo agora, precisamos de uma mudança. A política está saindo do controle, precisamos de pessoas melhores que venham para mudarmos para melhor”, ressalta Mohammed

Menos otimista está Elis Norris, 76. Para ela, o resultado da eleição não deve trazer muita mudança no cenário político americano. “Eu não espero que alguma coisa mude para melhor. A maioria dos políticos não faz nada por pessoas que não se pareçam com eles”, reclama.

Norris diz que Trump reflete a mentalidade de muitos americanos. “Você tem que ser um ignorante, um tolo, em achar que eles deixariam uma mulher [Hillary Clinton] se tornar presidente”, afirma. “Tem muitas pessoas que sentem dessa maneira que ele se sente”, conclui.