Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Putin liberta professor dos EUA condenado na Rússia por ser mercenário

Stephen Hubbard, de 74 anos, cumpria pena por suposta atuação como mercenário na guerra da Ucrânia; anúncio foi feito com enviado dos EUA

21/10/2026 09:20
Reprodução/Facebook
imagem colorida professor eua libertado russia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira (21/10) a libertação do americano Stephen Hubbard, de 74 anos, condenado por autoridades russas sob acusação de atuar como mercenário ao lado das forças ucranianas na guerra. A declaração ocorreu durante uma reunião com Steve Witkoff, enviado do governo dos Estados Unidos, em São Petersburgo.

Segundo Putin, Hubbard já havia sido levado ao aeroporto de Pulkovo, na cidade russa. O presidente, no entanto, não apresentou detalhes sobre as condições da libertação ou sobre o destino imediato do americano.

Witkoff agradeceu ao líder russo pela decisão e afirmou que Hubbard estava voltando para casa e para a família. O presidente americano, Donald Trump, também confirmou a libertação e declarou que os Estados Unidos não precisaram oferecer contrapartidas em troca.

Preso desde 2022

Professor aposentado e natural do estado de Michigan, Hubbard foi detido em abril de 2022, na cidade de Izium, no leste da Ucrânia, região que estava sob controle das forças russas naquele período.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Segundo a acusação apresentada pela Rússia, ele teria integrado uma unidade de defesa territorial ucraniana, recebido treinamento e armamento e concordado em receber cerca de US$ 1 mil por mês. Em outubro de 2024, foi condenado a seis anos e dez meses de prisão após um julgamento realizado a portas fechadas.

A defesa americana, porém, contestou as acusações. O advogado Martin De Luca afirmou anteriormente que Hubbard negava ter participado de atividades militares e sustentava que as acusações eram falsas. A irmã do americano também questionou a versão de que ele teria combatido ao lado das forças ucranianas.

Em janeiro de 2025, o governo dos Estados Unidos classificou Hubbard como detido injustamente, condição que permitiu ampliar os esforços diplomáticos para conseguir sua libertação.

Negociações diplomáticas

A libertação foi anunciada durante a visita de Witkoff à Rússia. O enviado americano tem participado de iniciativas diplomáticas relacionadas à guerra na Ucrânia e às tentativas de aproximar Moscou e Washington de um possível acordo.

Trump afirmou que havia pedido a Putin que libertasse Hubbard durante uma conversa telefônica na semana anterior. Segundo o presidente americano, a solicitação foi atendida sem que Washington precisasse libertar um cidadão russo em troca.

O caso se insere em um cenário de negociações delicadas entre os dois países, que mantêm divergências sobre a guerra iniciada com a invasão russa em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

A libertação de Hubbard representa um avanço pontual nas relações diplomáticas, mas não significa, por si só, uma mudança mais ampla na posição dos dois governos sobre o conflito.

Atenção internacional

A idade de Hubbard e as circunstâncias de sua condenação chamaram a atenção de organizações e autoridades americanas. O processo ocorreu de forma reservada, e representantes da defesa questionaram a versão apresentada pelos promotores russos.

Até o anúncio da libertação, Hubbard era o único cidadão americano mantido sob custódia russa que continuava formalmente classificado por Washington como detido injustamente.

As autoridades não divulgaram imediatamente informações detalhadas sobre o estado de saúde do americano nem sobre a data prevista para seu retorno aos Estados Unidos.