Putin diz que “não vê motivos” para se encontrar com Zelensky

Presidente russo afirmou que mensagem enviada pelo líder ucraniano não demonstrava intenção real de diálogo

atualizado

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Russian President Vladimir Putin Makes A State Visit To Kazakhstan
1 de 1 Russian President Vladimir Putin Makes A State Visit To Kazakhstan - Foto: Contributor/Getty Images

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou, nesta sexta-feira (5/6), que “não vê motivos”, neste momento, para se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A declaração ocorre um dia após o líder ucraniano divulgar uma carta aberta em que propõe um encontro direto entre os dois para discutir o fim da guerra iniciada em fevereiro de 2022.

Na mensagem publicada nessa quinta-feira (4/6), Zelensky convidou formalmente Putin para uma reunião presencial e criticou a postura do governo russo ao longo do conflito. O presidente ucraniano defendeu que um diálogo direto entre os chefes de Estado poderia abrir caminho para negociações de paz.

Logo após a divulgação da carta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Zelensky poderia visitar Moscou “quando quisesse”. Na ocasião, porém, Putin ainda não havia analisado o conteúdo da mensagem publicada.

Ao comentar o conteúdo da carta, Putin afirmou que o texto continha trechos ofensivos e não transmitia uma disposição genuína para o diálogo.

“Esta carta contém algumas observações bastante grosseiras. Seria uma forma de criar as condições para um encontro presencial ou uma forma de evitar esse encontro? Creio que foi a segunda opção”, declarou o presidente russo.

E completou: “Não vejo motivos para isso agora”.

A iniciativa do presidente ucraniano também foi recebida com desconfiança por nacionalistas russos. Aliados do Kremlin classificaram a carta como uma ação de relações públicas destinada a ampliar a pressão interna sobre o governo russo, e não como uma tentativa concreta de encerrar a guerra.

Putin está disposto a negociar

A publicação da carta ocorreu poucas horas após Putin declarar que a Rússia está disposta a encerrar o conflito por vias diplomáticas, mas apenas com base em compromissos discutidos recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um encontro em Anchorage, no Alasca.

No entanto, ao mesmo tempo que defendeu negociações, o líder russo reiterou que suas tropas seguem avançando no campo de batalha.

A carta de Zelensky

De acordo com o líder ucraniano, o encontro poderia ocorrer em países tradicionalmente envolvidos em mediações internacionais, como Suíça, Turquia ou nações do mundo árabe.

Ele descartou a possibilidade de uma reunião em Moscou ou Kiev e defendeu a participação dos Estados Unidos e de países europeus como garantidores de um eventual acordo.

A proposta inclui ainda um cessar-fogo completo durante as negociações, troca total de prisioneiros de guerra e medidas para o retorno de civis e crianças retirados de áreas afetadas pelo conflito. Zelensky também contestou a narrativa do Kremlin e afirmou que Moscou tem falhado em atingir objetivos militares anunciados ao longo da guerra.

Ainda na carta, o líder ucraniano destaca as consequências da guerra, como a morte dos soldados e o aumento de preços em território russo. “A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra. Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida”, diz um trecho da carta.

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