Presidente do Irã diz que não recusará diálogo com os EUA sobre a guerra
Pezeshki afirmou que Teerã está disposto a negociar enquanto aguarda resposta de Washington sobre cessar-fogo

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira (1º/10) que o país não vai se afastar do diálogo com os Estados Unidos, mesmo diante das tensões entre os dois países. A declaração ocorre enquanto Teerã avalia a resposta de Washington a uma proposta para retomar o cessar-fogo.
“Nunca nos esquivamos das negociações, e nunca o faremos”, afirmou Pezeshkian, segundo a agência iraniana Tasnim.
Na sequência, o presidente criticou os EUA e afirmou que o país atacou o território iraniano três vezes mesmo após a assinatura de acordos entre as partes.
Nessa quarta-feira (30/9), o Irã informou ter recebido uma resposta de Washington à proposta mais recente para encerrar as hostilidades. A confirmação ocorreu dias depois de Donald Trump afirmar que havia rejeitado a iniciativa.
Guerra entre EUA e Irã
- A guerra começou em 28 de fevereiro de 2026, quando EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, atingindo instalações militares e nucleares.
- O Irã respondeu aos ataques com mísseis e drones contra Israel e alvos ligados aos EUA na região. Houve também ataques envolvendo grupos aliados de Teerã no Oriente Médio.
- O conflito entrou no oitavo mês e alterna períodos de ataques intensos com tentativas de negociação e tréguas temporárias.
- O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo, tornou-se um dos principais pontos de tensão. A circulação de navios foi prejudicada pelos confrontos.
- Países como Catar, Omã e Paquistão atuaram como mediadores em diferentes momentos. As negociações, porém, não conseguiram produzir um acordo definitivo.
- Entre os principais pontos estão o programa nuclear iraniano, as sanções impostas pelos EUA, o controle e funcionamento do Estreito de Ormuz e a presença militar norte-americana no Oriente Médio.
- Em outubro, os dois lados continuam em confronto, enquanto também mantêm esforços diplomáticos.
- O Irã apresentou uma nova proposta para tentar retomar um cessar-fogo, mas Trump afirmou que a proposta não era suficiente.
- Trump afirmou que é possível que os EUA retomem ou ampliem os bombardeios contra o Irã após as eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro.
Trump rejeitou proposta
O plano apresentado por Teerã na semana passada prevê que os Estados Unidos suspendam o bloqueio aos portos iranianos. Em contrapartida, o Irã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTrump afirmou no sábado (26/9) que havia rejeitado a proposta. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, havia dito, porém, que Teerã não tinha recebido uma rejeição formal de Washington.
“Estou rejeitando o acordo deles. Eles querem fazer um acordo em que abrimos o estreito imediatamente porque estão perdendo feio. (…) Eles querem fazer um acordo. Acho que tudo bem; eu também gosto de fazer acordos. Mas não vou fazer. Esse acordo não seria aceitável”, afirmou Trump.
A proposta foi apresentada em meio ao oitavo mês da guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Além da questão do cessar-fogo, as negociações envolvem as tensões em torno do programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte de petróleo no mundo.



