Presidente da Câmara dos EUA descarta envio de tropas à Venezuela
Após reunião com secretários de Donald Trump, o republicano Mike Johnson afirmou que os EUA não vão se envolver “diretamente” na Venezuela
atualizado
Compartilhar notícia

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o republicano Mike Johnson, descartou o envio de tropas norte-americanas para o território da Venezuela. Em entrevista nessa segunda-feira (5/1), após reunião com secretários do governo Donald Trump, o republicano ainda afirmou que a Venezuela deve ter eleições presidenciais em breve.
“Não esperamos tropas na Venezuela”, disse o deputado. No sábado (3/1), militares dos Estados Unidos atacaram Caracas e capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que foi preso e levado para os Estados Unidos.
“Não prevemos nenhum tipo de envolvimento direto, exceto pressionar o governo interino para que as coisas avancem”, acrescentou Johnson.
A opinião do deputado contrasta com a de Trump, que afirmou não descartar o envio de tropas para a Venezuela. De acordo com a Constituição dos EUA, o envio de militares para outro país precisa passar por aprovação do Congresso.
Especialistas em direito internacional denunciaram que a ação de sábado foi ilegal, já que Trump não tinha aprovação do Congresso. Segundo o presidente dos EUA, o Congresso não foi avisado porque “tem uma tendência a vazar” informações.
A declaração de Johnson foi feita após uma reunião com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o de Defesa, Pete Hegseth, para tratar da Venezuela. Na saída do encontro, o republicano defendeu que o país latino tenha uma eleição presidencial em breve.
“Espero que sejam convocadas eleições na Venezuela”, disse Johnson. “Algumas dessas coisas ainda estão sendo definidas, é claro, mas isso (a eleição) deve acontecer em breve. E acho que será necessário para que a economia e o país se mantenham estáveis”, afirmou para jornalistas.
Trump descarta eleições na Venezuela nos próximos 30 dias
O presidente Donald Trump afirmou, nessa segunda-feira (5/1), que não haverá eleições na Venezuela nos próximos 30 dias. Ele deu a declaração durante entrevista à NBC News.
“Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem. Não (sobre eleições), vai levar um tempo. Precisamos cuidar para que o país se recupere”, disse ele.
Trump detalhou que os Estados Unidos podem subsidiar o trabalho das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura da Venezuela em um projeto que, segundo ele, poderia levar menos de 18 meses.
“Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas vai custar muito dinheiro (…). Uma quantia enorme terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita”, comentou Trump.
Trump no comando
Na mesma entrevista desta segunda, ao ser questionado sobre quem está no comando da Venezuela, apesar da posse de Delcy, Trump declarou: “Eu”.
Antes disso, ele citou, pela primeira vez, que um grupo do alto escalão do governo norte-americano participa das decisões sobre o país vizinho. Segundo Trump, estão envolvidos o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente, JD Vance. O republicano disse que cada um deles tem “especialidades diferentes” nesse processo.
Perguntado se está em guerra com a Venezuela, o mandatário norte-americano negou: “Estamos em guerra com quem vende drogas. Estamos em guerra com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos”.






















