Preço do petróleo dispara após ataque dos Estados Unidos a Bagdá

Altas no mercado asiático atingiram mais de 4%; investidores e mercado ficaram preocupados com possibilidade de afetar fornecimento

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atualizado 03/01/2020 17:30

Os preços do petróleo entraram em choque e subiram mais de 4% depois que um ataque aéreo dos Estados Unidos matou, nessa quinta-feira (02/01/2020), o general iraniano Qasem Suleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã. Com a ação, surgiu no mercado a preocupação de que a crescente tensão no Oriente Médio possa atrapalhar o fornecimento de petróleo.

Nesta sexta (03/01/2020), a cotação nas bolsas da Ásia e Austrália, dispararam após o anúncio do ataque. Um barril de petróleo doce leve’ que recebe esse nome devido às baixas concentrações de enxofre, é agora encontrado no mercado por U$S 63,84, em uma valorização de 4,3%. Já o Brent, um tipo de petróleo cru que é referência na Europa, tem seu barril cotado no mercado asiático a U$S 69,16, uma alta de 4,4%.

Os contratos futuros de petróleo, um dos ativos mais negociados nas bolsas mundiais, também tiveram alta de US$ 1,23 com a morte de Suleimani. Antes do ataque, eles eram avaliados em US$ 67,48 por barril. O mesmo aconteceu com o petróleo bruto do tipo West Texas Intermediate (WTI), que subiu US$ 1,03 e passou a valer US$ 62,21 por barril.

A notícia do ataque somada aos altos preços do mercado global, fez crescer o receio de que talvez possa acontecer um desabastecimento no petróleo a nível mundial. “Uma enorme onda de incerteza chegou às mesas dos investidores”, disse o especialista de mercado Jeffrey Halley.

Problemas no fornecimento trariam grandes consequências para todos. O petróleo doce leve, por exemplo, é extremamente importante para a produção de gasolina, sendo amplamente utilizado por grandes nações como China e Estados Unidos. No entanto, mesmo em meio ao caos do mercado, países produtores de petróleo, como a Malásia e a Indonésia, estão aproveitando a situação para lucrar.

O ataque

Suleimani foi morto durante uma ação da força aérea americana a um aeroporto em Bagdá. Ele era um dos militares mais poderosos do grupo, considerado terrorista pelos Estados Unidos e Israel. O número 2 da milícia, Abu Mehdi Al-Muhandis, também morreu. A informação foi confirmada pelo Pentágono na quinta. O ataque ocorreu sob o comando do presidente americano, Donald Trump.

Os Estados Unidos e o Irã estão em rota de colisão há anos – por causa da influência iraniana no Iraque, o programa nuclear do país e outros assuntos – e as tensões se intensificaram durante o governo de Trump, que se retirou do acordo nuclear firmado em 2015 e impôs sanções devastadoras contra Teerã.

Os ataques aéreos ocorrem num momento particularmente tenso no Iraque, onde a ira contra a intromissão estrangeira já era intensa. O principal clérigo xiita do país, o Grande Aiatolá al-Husseini al-Sistani, advertiu que o Iraque não deve se tornar “um campo para acertos de contas internacionais”, e o primeiro ministro Adel Abdul-Mahdi qualificou os ataques aéreos de violação da soberania iraquiana.

Escalada de tensão

Autoridades dos Estados Unidos afirmaram na semana passada que mais de 30 foguetes foram lançados contra uma base militar iraquiana perto de Kirkuk, ao norte do Iraque, matando um empreiteiro dos EUA e ferindo quatro americanos e dois soldados iraquianos. Eles acusaram a milícia Kataib Hezbollah, financiada pelo Irã, de perpetrar o ataque. Líderes da milícia negaram o envolvimento do grupo.

Depois de ameaças no Twitter, Trump disse que não queria uma guerra contra o Irã. No entanto, no domingo (29/12/2019), o Exército americano lançou ataques aéreos contra a milícia, matando 25 membros do grupo, no que o secretário de Estado, Mike Pompeo, qualificou como “uma resposta decisiva”. Ele disse que os EUA “não vão tolerar que a República Islâmica do Irã perpetre ações que colocam homens e mulheres americanos em risco”.

Em resposta, na terça (31/12/2019), a embaixada americana em Bagdá foi alvo de milícias iraquianas pró-Irã, que chegaram a invadir parte do complexo e colocar fogo na recepção enquanto entoavam o slogan “Morte à América”. O grupo recuou na quarta, 1, diante das ameaças de Donald Trump de atacar o Irã.

Muitos dos manifestantes que invadiram a área da embaixada são membros do Kataib Hezbollah e outras milícias apoiadas pelo Irã. Embora o país tenha uma forte influência no Iraque, ele também tem sido alvo da ira popular e por vezes da violência por parte dos manifestantes iraquianos. (Com informações da Reuters, AFP, AP e NYT)

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