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Mundo

Portugal define próximo presidente neste domingo (8/2)

Neste domingo (8/2) acontece o segundo turno das eleições presidenciais de Portugal. Eleitores vão escolher entre dois candidatos

08/02/2026 02:00, atualizado 08/02/2026 10:05
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Carla Sena/ Arte Metrópoles
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Neste domingo (8/2), os eleitores de Portugal vão às urnas para definir quem será o próximo presidente do país. No páreo do segundo turno, estão os candidatos André Ventura, do partido de extrema-direita Chega!, e Antônio Seguro, do Partido Socialista.

Esta é a segunda vez, desde 1986, que o país terá a eleição de um presidente decidida em uma segunda rodada de votações.

As primeiras parciais começam a sair às 20h (horário local) — 17h em Brasília. No primeiro turno, Seguro foi o candidato mais votado entre as 11 opções que os eleitores portugueses tinham.

O candidato de esquerda teve uma vantagem 7,6 pontos percentuais em relação a André Ventura, que foi o segundo mais votado.

  • António José Seguro: 31,12 %1.755.764 votos
  • André Ventura:  23,52 %1.326.942 votos

Polarização

Segundo o cientista político Leandro Gambiati, Portugal está vivendo um momento atípico na política local, que costumava ser caracterizado pela estabilidade. Ele destaca que, durante décadas, o país partilhou de um sistema político muito estável, com um bipartidarismo clássico.

Gambiati faz um paralelo com o Uruguai, que vê os vizinhos sul-americanos com polarização intensa e fortes crises políticas, enquanto o “seu quintal” segue tranquilo.

O cenário é semelhante ao que ocorre na Europa. Neste pleito, Portugal enfrentou pela primeira vez uma onda semelhante à que atinge seus vizinhos. “Em outras democracias europeias, o que tem avançado é justamente a polarização, um movimento do qual Portugal acabou caindo de alguma forma”, explica.

Em Portugal, o voto é impresso. Os eleitores escolhem no papel o candidato. Confira cartão:

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O primeiro turno foi marcado por votação recorde. Foram às urnas 45,51% dos eleitores, mostram dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna de Portugal. No país, a votação não é obrigatória.

A porcentagem foi a maior desde o pleito de 2006, quando 45,56% dos eleitores votaram. Em comparação com as eleições de 2021, a diferença é de 10 pontos percentuais.

“Diante de eleições polarizadas, em que você não quer que o outro vença, principalmente você se mobiliza e vota”, observa Leandro Gambiati.

Confira percentuais anteriores:

  • 2006: 45.56%;
  • 2011: 35.16%;
  • 2016: 37.69%;
  • 2021: 35.44%;
  • 2026: 45.51%.

Já para o segundo turno é esperado um número menor de eleitores indo às urnas. Desde quinta-feira (5/2), fortes chuvas têm castigado Portugal, ocasionando em enchentes em várias regiões do país. Um homem morreu após ter o carro arrastado pelas águas.

A IPMA, agência portuguesa de meteorologia, afirma que o país teve o mês de janeiro mais chuvoso desde o ano 2000.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de adiar as eleições por causa das enchentes, Ventura foi duro na resposta. O candidato publicou um vídeo nas redes sociais no qual responde o que acha sobre condições para o pleito. “Estão vendo o que está acontecendo no país. Abrir os olhos um pouco e pôr os interesses do país à nossa frente. Isso é sobre o povo que está sofrendo”, disse.

Já o discurso de José Seguro é que a população vá às urnas pois “não é o momento para desistir”. Em comunicado nas redes sociais, o socialista afirma que o voto é um ato de liberdade para ir contra pessoas que querem usar o momento difícil “para destruir a liberdade”. “Isso faz-se através de um gesto simples, que é o voto. Nesta eleição é muito claro quais são os caminhos que estão em disputa. E como a minha assistência é hiperinteligente, eu deixo ao vosso critério quem é que vão escolher”, pontua.

Candidatos antagonistas

Leandro Gambiati aponta que questões sociais, econômicas e, principalmente, o desafio da imigração, criaram um terreno fértil para o descontentamento e o fortalecimento de líderes populistas, como Ventura. Sobre as siglas que estão no segundo turno, Gambiati define o Chega! como um partido mais radical e antissistema, enquanto o Partido Socialista é “um dos pilares da esquerda tradicional”.

Quem são os candidatos

  • André Ventura (Chega) – Deputado e líder do partido de direita radical, aposta em discurso duro sobre imigração e segurança.
  • António José Seguro (PS) – Ex-secretário-geral socialista, retorna à política com apoio formal do partido.

O contexto internacional pesa sobre a disputa. Guerras prolongadas, crises humanitárias, tensões geopolíticas e o avanço de discursos autoritários no cenário global moldam o pano de fundo da eleição.

O atual presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou que quem assumir o país encontrará um mundo “mais imprevisível” e uma Europa “mais complicada” do que aquela que enfrentou ao iniciar o mandato, em 2016.

“O mundo está mais imprevisível, a Europa está mais imprevisível. Isso torna a política mais difícil e afeta a vida das pessoas”, afirmou o presidente.