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Política

Telegrama narra apelo a Bolsonaro por intervenção na Venezuela

Itamaraty intermediou entrega de cartas escritas por venezuelanos no sul da Flórida. Senador pelo estado, Rick Scott se aproximou do Brasil

12/11/2019 05:30
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Alan Santos/Presidência da República
Telegrama narra apelo a Bolsonaro por intervenção na Venezuela

Um telegrama emitido pelo Consulado-Geral do Brasil em Miami, na Flórida (EUA), no dia 9 de setembro, narra um pedido de apoio a uma intervenção militar feito por venezuelanos em cartas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

No documento, transmitido também para a embaixada em Washington, o cônsul-geral, João Mendes Pereira, pede para que a solicitação seja intermediada pelo Itamaraty

O diplomata conta no comunicado, obtido pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que as correspondências foram entregues ao chefe do setor de imprensa no consulado, Leonardo Rabelo, e ele então prosseguiu o encaminhamento.

O grupo remetente, sediado no sul da Flórida, levantava a campanha “Responsabilidad de Proteger Venezuela Ya”. 

“Nas referidas missivas, os signatários pedem que o governo brasileiro apoie intervenção militar de caráter humanitário na Venezuela com base no princípio de responsabilidade de proteger. Muito agradeceria encaminhar à Presidência da República as cartas recebidas”, escreveu Mendes Pereira.

Sem mais detalhes, o cônsul-geral afirma que cópias das mensagens foram enviadas por correio eletrônico e que as originais seguiriam, posteriormente, por mala diplomática.

Reprodução/Itamaraty
Documento obtido pela LAI mostra que venezuelanos pediram apoio à intervenção militar no país ao presidente Jair Bolsonaro

Rick Scott no Brasil
Correligionário do presidente dos EUA, Donald Trump, o senador republicano Rick Scott, cujo reduto eleitoral é a Flórida, esteve no Palácio do Planalto no dia 8 de outubro, em encontro com Jair Bolsonaro (foto em destaque). O parlamentar é favorável a intervenção militar na Venezuela.

Na audiência, Bolsonaro foi convidado para participar de um evento empresarial no estado norte-americano no fim deste mês. Participaram da agenda o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “03” do presidente que está à frente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Em sua conta no Twitter, Scott antecipou o objetivo da visita: “Também me reunirei com autoridades para discutir como nossos países podem ajudar a promover a liberdade em toda a América Latina e do regime implacável de Nicolás Maduro na Venezuela”, escreveu. 

A quarta ida do mandatário do Brasil aos EUA neste ano foi cogitada, mas está suspensa, segundo o porta-voz da presidência da República, Otávio do Rêgo Barros. “Está cancelada em razão de dificuldade de agenda do senador que o convidou”, explicou.

O Itamaraty confirmou, na última quinta-feira (7/11/2019), a entrega das cartas à Presidência da República, sem precisar a data. O Palácio do Planalto foi procurado, mas não se manifestou. 

Brasil se opõe à intervenção
Apesar das críticas de Bolsonaro a Nicolás Maduro e do apoio declarado a Juan Guaidó, o Brasil nega a possibilidade de interferência no país vizinho desde o início do governo. Em janeiro deste ano, Guaidó se proclamou presidente interino e foi reconhecido por mais de 50 países, entre eles Brasil e Estados Unidos

O Itamaraty recebe a cúpula do Brics bloco de países de economia emergente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul nos dias 13 e 14 de novembro. Um dos desafios para esta semana, no campo diplomático, é o convencimento para que os países-membros reconheçam o opositor de Maduro como presidente. Rússia e China são superpotências que se opõem a Guaidó. 

Responsabilidade de proteger
Adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o conceito da responsabilidade de proteger ou “R2P”, na sigla em inglês, consiste no direito da comunidade internacional de intervir em outros países em resposta a casos extremos de violações de direitos humanos, como genocídios e crimes de guerra. O tema é tratado no parágrafo 139 do Documento Final da Cimeira Mundial 2005. 

A Venezuela vive uma crise socioeconômica e política marcada por manifestações sociais, violência e dificuldade de acesso a serviços básicos. A ONU estima que o número de refugiados venezuelanos pelo mundo chegou a 4 milhões até meados de 2019.

O mais recente Relatório Tendência Globais da Agência ONU para refugiados (Acnur), de 2018, mostra que os venezuelanos se tornaram a terceira nacionalidade mais comum de requerentes de asilo nos Estados Unidos, com 27,5 mil pedidos.

Segundo dados de 2017 da organização Pew Search, a maior parte dos venezuelanos no país (52%) se concentra na Flórida.