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Você sabia que um morador de Brasília pode ser eleito para um cargo político no Parlamento da Itália? Pasquale Matafora, 61 anos, está em plena campanha eleitoral. Ele vive na capital brasileira há 26 anos e pretende ser, no Legislativo daquele país, a voz dos italianos residentes na América Latina.

Representante cultural e político da Embaixada da Itália em Brasília, Pasquale Matafora é candidato a deputado pela circunscrição da América do Sul. O governo italiano convocou eleições gerais para 4 de março.

Nascido em Nápoles, Pasquale sempre se interessou por assuntos políticos e, agora, se diz preparado para representar os compatriotas. Diferentemente de outras nações, a Itália permite que cidadãos expatriados votem em representantes do país onde moram e não das suas regiões de origem. No procedimento de votação, os eleitores recebem um kit com uma cédula e enviam o voto pelos correios. Segundo lei promulgada em 2000, descendentes de italianos residentes em outros países também podem ser candidatos, desde que tenham cidadania reconhecida pela Itália.

São aproximadamente 400 mil italianos morando no Brasil, mas apenas 290 mil aptos a votar. Formado por 315 senadores e 630 deputados, o Legislativo daquele país dedica espaço à integração internacional. Desde 2006, 12 vagas na Câmara e seis no Senado estão reservadas a italianos que residem no exterior – a América do Sul elege dois representantes para o Senado e quatro para a Câmara.

Mas quem é Matafora?
Pasquale Matafora está no Brasil há 37 anos, é casado e tem quatro filhos. Se eleito ao Parlamento, precisará deixar o cargo na embaixada em Brasília e se mudar para a Itália. Mas o candidato afirma que não deixará de vir ao país.

Mesmo com todo o trabalho, nunca vou abandonar o solo brasileiro. Vou carregar os eleitores comigo, dentro do Parlamento. Eles poderão me mandar e-mail, mensagens no WhatsApp… Farei de tudo para encurtar a distância. Vai ser um prazer trabalhar para eles."
Pasquale Matafora, adido na Embaixada da Itália em Brasília e candidato a deputado na Itália

Pasquale trabalhou como analista de sistemas e foi correspondente internacional para jornais italianos no Brasil. Em 1991, resolveu prestar concurso público para a embaixada italiana em Brasília e foi aprovado, mas o certame acabou cancelado. Em uma nova oportunidade, o italiano não desistiu do sonho e fez a prova novamente, passando em primeiro lugar.

Na representação de seu país na capital brasileira, prestou assistência a muitos descendentes e trabalhou na extradição de quase 200 foragidos da Justiça italiana, entre eles Cesare Battisti.


Outra importante atuação de Matafora ocorreu em 1996, quando foi um dos responsáveis pelo movimento que deu direito ao voto no exterior para os cidadãos italianos. “Sinto-me preparado e competente para concorrer ao Parlamento italiano, dando o máximo à sociedade. Preciso representar quem votar e quem não votar em mim. Por meio da justiça e da dignidade, a minha missão é levar a voz dos italianos que estão longe de casa aos ouvidos do governo”, afirma.

Concorrência
Uma das parlamentares que atualmente representam os italianos na América do Sul é a brasiliense Renata Bueno, eleita pela União Sul-Americana dos Emigrantes Italianos (Usei). No pleito deste ano, ela vai tentar a reeleição. Com 44 mil votos em 2012, Renata trabalha pela defesa dos direitos humanos e em prol da propagação da cultura e das liberdades individuais. Ela é favorável à transferência de cidadãos condenados ao seu país de origem.

Matafora é amigo pessoal de Renata e se considera padrinho dela. Questionado sobre a rivalidade nas urnas, ele declarou: “Acredito que ela fará uma ótima campanha, pois é esforçada e dedicada. Espero encontrá-la no Parlamento junto comigo. Não somos adversários, pois lutamos pelo coletivo. Desejo boa sorte”.

Entre os candidatos, também está o jornalista brasileiro Fernando Mauro Trezza, que concorre ao cargo pela primeira vez. Descendente de italianos, o paulista possui dupla cidadania. No Brasil, é presidente da Associação Brasileira dos Canais Comunitários (ABCCom), atuando em comunicação há 20 anos. O jornalista é candidato pela legenda Cívica Popolare.

Já Pasquale Matafora defende o Partido Democrático (PD). Confira a entrevista dele ao Metrópoles:

O candidato costuma encontrar alguns eleitores para apresentar suas ideias, mas também utiliza as redes sociais para sempre estar em contato com eles. Matafora defende as suas propostas eleitorais pelo site pessoal, Facebook, Instagram e WhatsApp.

 

 

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