Mercosul: “O Brasil não voltará à caverna”, diz Ernesto Araújo

Ministro brasileiro fez discurso "anti-ideológico", criticou socialismo da Venezuela e reclamou de críticas à condução da política externa

Raylson Ribeiro/MRERaylson Ribeiro/MRE

atualizado 05/12/2019 12:27

Enviada especial a Bento Gonçalves (RS) – Ao abrir a reunião de chanceleres na 55ª Cúpula do Mercosul, nesta quarta-feira (04/12/2019), em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, o ministro Ernesto Araújo disse que o Brasil não pode “voltar para a caverna” e adotar posturas protecionistas de sua economia. Segundo ele, o Mercosul, na gestão do presidente Jair Bolsonaro deixou de ser um “freio”, como ocorria nos governos anteriores, para se tornar um “acelerador” no sentido de integrar o comércio dos países do bloco aos mercados de todo mundo.

“O Brasil precisa recuperar o tempo e o espaço perdido na economia mundial. Gostaríamos de avançar mais para reposicionarmos o Brasil no mundo, como ator respeitado e importante. O Mercosul deixou de ser um freio para se tornar um acelerador, que pode gerar emprego e promover abertura ao mundo. Acabou o Mercosul retórico e ineficiente. Voltamos a ter um Mercosul polo de prosperidade e democracia na América do Sul”, declarou.

“Saímos da caverna e passamos para a luz do sol. Não voltaremos à caverna”, disse o ministro, que defendeu, entre outros pontos, a redução da tarifa comum entre os países do bloco, medida defendida pelo Brasil e pelo presidente da Argentina, Maurício Macri, mas que conta com a resistência do Uruguai e do Paraguai e deve também ser repelida pelo novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, que tomará posse na próxima terça-feira (10/12/2019).

Ideologia
Araújo reclamou de momentos em que o governo brasileiro é taxado de “ideológico” em suas relações exteriores. No entanto, ele fez críticas à Venezuela e ao regime socialista. “A esses nós temos que chamar de ideológicos”, disse Araújo, que atribuiu caráter ideológico apenas aos governos anteriores.

“No Brasil, conseguimos parar esse trem”, disse o chanceler. “Conseguimos parar este projeto que havia de instrumentalizar o Mercosul”, insistiu. “É uma completa inversão de valores dizer que o nosso conceito e nossa postura é ideológica”, sustentou.

A 55ª Cúpula do Vale dos Vinhedos encerra a presidência semestral brasileira do Mercosul. A avaliação do governo brasileiro é de que neste último semestre houve uma reafirmação do “compromisso com os valores democráticos”, e que a administração “reforçou sua vocação original para o regionalismo aberto e buscou adotar um enfoque pragmático, com resultados concretos para os cidadãos”.

Um exemplo citado pelo governo foi a conclusão do acordo com a União Europeia. Finalizado em agosto, o acordo se deu entre o bloco e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), integrada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. A agenda do bloco ainda incluiu, de acordo com o governo brasileiro, tratativas com Canadá, Singapura, Líbano e Coreia do Sul, diálogos com Vietnã e Indonésia e, no plano regional, com Colômbia, além da Aliança do Pacífico.

O presidente Jair Bolsonaro participará do encontro nesta quinta-feira (05/12/2019). Do governo, acompanham o presidente os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; da Economia, Paulo Guedes; da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina; da Saúde, Luiz Henrique Mandetta; da Cidadania, Osmar Terra; e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

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