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O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, tornou-se primeiro-ministro nesta sexta-feira (1º/6), depois que Mariano Rajoy, de 63 anos, foi retirado do cargo em uma moção de censura. O Partido Popular (PP) dele também foi multado judicialmente por se beneficiar de um amplo esquema de corrupção. É a primeira vez que um líder espanhol é afastado no Parlamento em quatro décadas de democracia.

A moção obteve 180 votos a favor, 169 contra e uma abstenção. Sánchez, de 46, deve assumir o cargo na segunda (4), e seu gabinete nomeado na próxima semana, mas antes precisa ainda ser empossado pelo rei espanhol, Felipe VI. Ele prometeu implementar uma agenda moderada e pró-Europa.

Na semana passada, o Partido Popular foi julgado pela Audiência Nacional, espécie de STF espanhol. A Corte condenou a legenda e 29 dos membros de sua cúpula a penas que, somadas, chegam a 351 anos de prisão. O chamado Caso Gürtel envolveu escândalos de corrupção, fraudes, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e desvio de verbas públicas.

Segundo os documentos apreendidos com o ex-tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, o partido havia montado uma espécie de “mensalão”, no qual altos dirigentes da legenda recebiam recursos de empreiteiras que conseguiam contratos por obras públicas. A condenação do partido, inédita na Justiça espanhola, motivou a ação de Sánchez para derrubar Rajoy.