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Política

Ex-estrategista de Trump, Bannon diz que prisão teve motivação política

Mesmo indiciado, ele adota tom desafiador e garante que não desistirá da construção de muro na fronteira com México

Estadão Conteúdo22/08/2020 10:42
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Alex Wong/Getty Images
Steve Bannon, ex-assessor e marketeiro do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Ele aparee sendo conduzido por policiais perto de carro após ser preso por fraude. Atrás, jornalistas tentam o entrevistar - Metrópoles

Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca e mentor do presidente Donald Trump, adotou um tom desafiador após ser preso, nessa quinta-feira (20/8), acusado de fraude e de lavagem de dinheiro. Ele foi solto após pagar fiança. Segundo promotores, ele teria desviado US$ 1 milhão de doações destinadas à construção de um muro na fronteira com o México. Nessa sexta-feira (21/8), Bannon disse que a acusação tem “motivação política”.

“Não vou recuar. A prisão foi um ato político. Todo mundo sabe que eu amo uma briga. Por muito tempo, eu fui chamado de texugo-do-mel. Você sabe, o texugo-do-mel nunca desiste. Então, a luta é longa”, disse Bannon, em seu programa War Room, em referência ao animal, considerado um dos mais corajosos do mundo.

Na quinta-feira, após Bannon ser indiciado,Trump tentou se distanciar dele, criticando o grupo We Build the Wall (“Nós Construímos o Muro”), por interferir em uma tarefa que seria do Estado. “Eu não sei nada sobre o projeto [do muro], além de que eu não gostava. Quando li, não gostei, porque era um trabalho para o governo, não é para a iniciativa privada.”

Na sexta-feira, Bannon evitou bater de frente com o presidente. “O que ele disse está absolutamente correto”, afirmou, sobre as declarações de Trump. “Construir o muro é função do governo. Mas veja quantos problemas o presidente Trump teve.”

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Ex-presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o então presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA)
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O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o então presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA)

Isac Nóbrega/PR
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Tom Pennington/Getty Images

Trump encontrou dificuldades para construir o muro na fronteira — a principal promessa de campanha —, diante de obstáculos jurídicos, logísticos e da oposição por parte do Congresso. Seu governo havia completado 48 novos quilômetros e substituído outros 386 quilômetros de barreiras ao longo da fronteira, que tem cerca de 3, 2 mil quilômetros.

Neste contexto, mais de 330 mil apoiadores doaram fundos para a construção do muro de maneira autônoma. O grupo ligado a Bannon construiu duas seções em propriedades particulares nos Estados do Novo México e do Texas, e recebeu críticas de moradores que dizem que as licenças necessárias não foram adquiridas.

Além de Bannon, foram presos outros três acusados: Timothy Shea, ex-agente da DEA (agência antidrogas dos EUA), Brian Kolfage, ex-militar, e o investidor Andrew Badolato. Ao todo, eles teriam arrecadado US$ 25 milhões (R$ 140, 5 milhões).

O ex-estrategista de Trump se declarou inocente e foi libertado no mesmo dia, após pagar US$ 5 milhões de fiança.

O tribunal também impôs restrições de viagem a Bannon, que não poderá deixar o país, nem usar aviões ou barcos particulares sem a autorização. “Isso [a prisão] é para impedir e intimidar as pessoas que apoiam o presidente Trump na construção do muro. Nunca vamos parar de defender o muro”, disse Bannon. “Essa coisa é um disparate completo. Não vou recuar um centímetro.”

Movimento

Guru dos conservadores americanos, Bannon dirigia o site de direita Breitbart News — uma das principais vozes do chamado movimento “alt-right”, a extrema direita dos EUA, que envolve nacionalistas, supremacistas brancos, neonazistas e antissemitas. Ele deixou a função após ser convidado para se juntar à campanha de Trump como o principal estrategista do então candidato republicano.

Bannon, que é antiglobalista, desde então promove uma variedade de causas e candidatos de direita nos Estados Unidos e em outros países do mundo, incluindo o Brasil, onde tem ligações principalmente com o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.