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Pelo menos 11 príncipes, quatro ministros e dezenas de ex-ministros foram detidos na Arábia Saudita por ordem de um comitê anticorrupção criado horas antes pelo rei Salman bin Abdulaziz al-Saud, noticiou a cadeia de televisão Al Arabiya neste sábado (04/11).

O comitê anticorrupção, dirigido pelo príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, tem como missão investigar casos de corrupção detectados no reino, afirmou a agência oficial SPA antes das detenções. O novo organismo tem o poder de emitir ordens de detenção e de proibição de viajar para o exterior, além de poder congelar bens dos investigados e adotar outras medidas preventivas ainda antes de os casos chegarem a um tribunal.

Segundo fontes citadas pela Al Arabiya, baseada no Dubai, o comitê reabriu a investigação de dois casos de corrupção relacionados com as inundações que ocorreram na cidade de Jidá em 2009 e com o surto de coronavírus, que matou cerca de 500 pessoas entre 2012 e 2015.

Ao mesmo tempo que criava o novo comitê anticorrupção, o rei Salman anunciava alterações significativas nas autoridades do reino, com as destituições do chefe da Guarda Nacional, do comandante da Armada e do ministro da Economia. Nenhuma fonte oficial explicou se essas destituições estão relacionadas com as investigações de corrupção.

O príncipe Miteb bin Abdullah foi substituído por Khaled Bin Ayyaf como chefe da Guarda Nacional, uma força de segurança interna de elite. O príncipe Miteb é filho do falecido rei Abdullah e o último membro restante desse ramo da família real que ainda ocupava uma posição de poder de primeiro escalão.

O príncipe Miteb era considerado um possível candidato ao trono antes da rápida ascensão do príncipe Mohammed, filho do rei Salman, de 81 anos, e hoje considerado o governante de facto do país. Com os novos acontecimentos, ele consolida ainda mais o seu poder.

Os suspeitos presos não foram identificados, mas incluem quatro ministros atuais. Entre os detidos por corrupção está o bilionário príncipe Al-Waleed bin Talal, neto do fundador do Estado, Ibn Saud, e, segundo a revista Forbes, o homem mais rico do mundo árabe, com fortuna equivalente a cerca de 16 bilhões de euros.

Ele é dono de investimentos no Twitter, na Apple, no Citigroup, na News Corporation, de Rupert Murdoch, na cadeia hoteleira Four Seasons e, mais recentemente, na Lyft. Também é conhecido por ser dos membros da realeza saudita mais frontais, defendendo a ampliação dos direitos para as mulheres. É também o acionista maioritário do popular Grupo Rotana de canais árabes.

 

 

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