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A falha dos parlamentares republicanos no Congresso dos Estados Unidos para revogar o sistema de saúde implementado Barack Obama é um sério golpe para outra grande parte da agenda do presidente Donald Trump: a reforma tributária. O chefe do Executivo americano e o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, dizem que em breve voltarão sua atenção para a primeira grande revisão do código tributário em mais de 30 anos. Mas terão que fazer isso sem o impulso que seria dado por uma vitória na questão da revisão do sistema de saúde.

O plano de saúde do Partido Republicano teria revogado quase US$ 1 trilhão em impostos promulgados sob o Ato de Cuidados Acessíveis de Obama. O projeto de lei associou os cortes de impostos à redução de despesas com o sistema de saúde, por isso não aumentaria o déficit orçamentário.

“Sim, isso torna a reforma fiscal mais difícil”, disse Ryan. “Mas não o torna impossível”.

Os republicanos da Câmara não conseguiram votos suficientes na sexta-feira para revogar e substituir uma lei muito criticada pelas lideranças do partido, levantando dúvidas sobre sua capacidade de aprovar outros projetos com alto grau de complexidade.

O deputado republicano Jodey Arrington reconheceu que o fracasso de sexta-feira o deixou com dúvidas sobre a capacidade do partido de levar adiante grandes reformas. “Esta foi minha primeira grande votação, e nossa primeira grande iniciativa neste nível de dificuldade, como será a reforma tributária”, disse o calouro. “Eu acho que isso teria nos dado um tremendo ímpeto, e a derrota breca este impulso”.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse na sexta-feira que o governo planeja se voltar rapidamente para a reforma tributária com o objetivo de obter a aprovação pelo Congresso em agosto. “A saúde é uma questão muito complicada”, disse Mnuchin. “De certa forma, a reforma tributária é muito mais simples”.

O objetivo geral para os republicanos é reduzir as alíquotas para indivíduos e empresas, e compensar a perda de receitas por meio da redução de isenções, deduções e créditos. Rever essa legislação é difícil por conta do custo político. Atualmente, as regras beneficiam um número grande de pessoas.

Por exemplo, quase 34 milhões de famílias reivindicaram a dedução de juros de hipoteca em 2016, reduzindo suas contas de impostos em US$ 65 bilhões. Além disso, mais de 43 milhões de famílias deduziram seus impostos estaduais e locais, vendas e impostos sobre bens pessoais de sua renda tributável federal no ano passado. A dedução reduziu suas contas fiscais federais em quase US$ 70 bilhões.