
Pesquisa de aliados de Trump: sanções a Moraes não atrapalham Flávio
Estuado da McLaughlin & Associates ouviu 1.991 eleitores brasileiros em agosto para medir o impacto eleitoral de possíveis sanções dos EUA

Aliados do presidente Donald Trump encomendaram uma pesquisa nacional no Brasil com um objetivo específico: descobrir se as medidas que os Estados Unidos estudam adotar contra autoridades brasileiras teriam custo eleitoral para a direita. A resposta foi clara: não têm. Em alguns casos, até ajudam.
O levantamento, feito em agosto pela McLaughlin & Associates, instituto que trabalha para Trump, ouviu 1.991 eleitores em todo o país.
A pergunta central era: se os Estados Unidos voltarem a impor sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, por violações de direitos humanos, isso mudaria o seu voto?
Para a maioria (53,3%), não muda nada. Entre os que mudariam a vantagem é de Flávio Bolsonaro: 24,7% dos eleitores disseram que ficariam mais propensos a votar no senador, contra 18,2% que ficariam mais propensos a votar em Lula.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOlhando eleitorado por eleitorado, o padrão se repete. Mais da metade dos eleitores de Flávio (52,4%) diz que as sanções reforçariam seu voto nele. Entre os eleitores dos outros candidatos de oposição a medida também aproxima de Flávio: 36,5% no eleitorado de Ronaldo Caiado, 36,4% no de Pablo Marçal, 32,7% no de Romeu Zema e 26,2% no de Augusto Cury.
Do lado de Lula, 38,5% dos eleitores dizem que votariam nele com mais convicção, mas a maioria (56,6%) afirma que nada mudaria. Entre os indecisos a resposta dominante é a indiferença: a grande maioria diz que a medida não altera sua decisão.
A pesquisa também testou um cenário mais amplo: sanções norte-americanas a outras autoridades do governo Lula e do STF, por violações à liberdade de expressão e de imprensa.
O resultado foi ainda melhor para o senador: 27,3% dos eleitores ficariam mais propensos a votar em Flávio, contra 17,4% em Lula. No eleitorado do próprio Flávio, 57,3% dizem que a medida reforçaria seu voto – o segundo maior índice de todo o questionário.
O item mais sensível testado pelo instituto foi o de ações militares. A pergunta: se os Estados Unidos realizarem operações militares contra facções do narcotráfico dentro do Brasil, como já fizeram em outros países da América Latina, isso muda o seu voto?
Mesmo nesse cenário extremo, o resultado favorece o senador: 28,4% dos eleitores ficariam mais propensos a votar em Flávio, contra 18,2% em Lula, com 49,7% dizendo que nada mudaria.
Um dado da própria pesquisa ajuda a explicar por que essas medidas não geram a rejeição que o governo Lula esperaria. Perguntados sobre qual tema é o mais importante na escolha do presidente, apenas 3,6% dos eleitores citaram defesa e soberania nacional. Saúde (23,2%), segurança pública (15,6%) e educação (12,4%) dominam a lista.
A soberania, tema central do discurso do governo contra os Estados Unidos, é prioridade de uma fatia mínima do eleitorado — enquanto o combate ao crime, terreno das ações americanas testadas, é a segunda maior preocupação do país.



