Papa Leão XIV critica “acumulação de riqueza” em primeira exortação

Em exortação apostólica, Leão XIV pediu mudança de mentalidade e condenou elites que vivem “num mundo à parte” diante da pobreza crescente

atualizado

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Reprodução/Vatican News
Papa Leão XIV
1 de 1 Papa Leão XIV - Foto: Reprodução/Vatican News

O papa Leão XIV publicou nesta quinta-feira (9/10) a primeira exortação apostólica de seu pontificado, intitulada “Dilexi te” (Eu te amei, em latim), um texto de 49 páginas dedicado ao tema do amor pelos pobres. No documento, o pontífice faz duras críticas à desigualdade social, ao culto à riqueza e à indiferença diante do sofrimento dos mais vulneráveis, apontando que a pobreza continua sendo um desafio ético, político e espiritual para a humanidade.

“Ao compromisso concreto com os pobres ocorre associar também uma mudança de mentalidades que tenha incidências culturais. Efetivamente, a ilusão de uma felicidade que deriva de uma vida confortável leva muitas pessoas a ter uma visão da existência centrada na acumulação de riquezas e no sucesso social a todo o custo, a ser alcançado mesmo explorando os outros e aproveitando ideais sociais e sistemas político-económicos injustos, favoráveis aos mais fortes”, diz trecho do texto.

A exortação foi assinada em 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, santo que inspirou o nome de seu antecessor, o papa Francisco, e símbolo da simplicidade e da defesa dos pobres. A escolha da data, segundo o Vaticano, reforça o compromisso do novo papa em manter viva a mensagem de solidariedade e justiça social. Em 2023, o então papa Francisco havia publicado, na mesma data, a Laudate Deum, sobre a crise climática.

“A pobreza tem muitos rostos”

No texto, dividido em 121 pontos, Leão XIV afirma que “a condição dos pobres representa um grito que interpela constantemente a vida, as sociedades e a Igreja”. Ele ressalta que a pobreza não é um fenômeno único, mas múltiplo – material, social, moral, espiritual e cultural – e que continua sendo agravada por estruturas injustas.

O pontífice critica o que chama de “sociedades que privilegiam padrões de vida marcados por numerosas desigualdades” e lamenta que, apesar dos esforços internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas, a erradicação da pobreza ainda esteja longe de ser alcançada.

Leão XIV faz também uma contundente advertência contra a “ilusão de felicidade baseada na vida confortável”, que leva à busca incessante por riqueza e sucesso social, muitas vezes à custa da exploração de outros. “Vemos crescer algumas elites ricas, que vivem numa bolha de condições luxuosas, quase num mundo à parte em relação às pessoas comuns”, escreveu.

Segundo ele, essa mentalidade alimenta uma “cultura que descarta os outros sem sequer se aperceber”, tolerando a fome e a miséria de milhões de pessoas. O papa recorda, como exemplo, a imagem de uma criança síria morta em uma praia do Mediterrâneo, que chocou o mundo, mas cujo impacto se perdeu diante da repetição de tragédias semelhantes.

Dilexi te

A exortação “Dilexi te” reafirma temas presentes no pontificado de Francisco, como a denúncia da “ditadura de uma economia que mata” e da “tirania invisível dos mercados financeiros”. No texto, Leão XIV também tratou da luta contra a escravidão, defesa das mulheres que sofrem exclusão e violência, direito à educação, acompanhamento aos migrantes e equidade.

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