Overspeed e 9 mortes: o que se sabe sobre queda de jato particular nos EUA
Autoridades investigam queda de jato nos EUA. Entre as vítimas, estão uma família com 2 crianças e uma jovem copilota filha de brasileiros

A queda de um jato particular nesse domingo (1º/11) no sul da Flórida, nos Estados Unidos (EUA), vitimou nove pessoas, sendo dois tripulantes e sete passageiros. As imagens do momento do acidente chocaram o mundo. A velocidade foi tão grande que a investigação suspeita que a aeronave pode ter se despedaçado antes de colidir com o solo.
Entre as nove vítimas, estava uma família inteira do Texas, composta pelo casal de pais e duas crianças pequenas. Eles viajavam acompanhados de uma babá e dois amigos próximos. As outras duas vítimas são o piloto e a copilota, que era uma jovem de 20 anos, filha de brasileiros.
O Conselho Nacional de Segurança de Transporte (NTSB) investiga as circunstâncias da queda do jato. Os investigadores apuram se partes da aeronave se desprenderam antes do início da queda ou durante a descida.
O órgão identificou indícios de que o Learjet 60 ultrapassou o limite de velocidade, condição conhecida na aviação como overspeed. O jato chegou a despencar 6 mil metros por minuto e se chocou contra o solo no condado de Palm Beach, sobre um parque de trailers.
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- Situação em que o motor ultrapassa o limite máximo seguro de rotações por minuto (RPM) projetado pelo fabricante;
- O fenômeno é causado por falhas nos sistemas de controle de velocidade, perda súbita de carga ou erro humano;
- O overspeed causa danos mecânicos catastróficos imediatos, como quebra de pistões, válvulas amassadas e destruição interna dos componentes.
A recuperação dos destroços deve dificultar o trabalho das equipes, devido à força do impacto contra o solo. O NTSB avalia que fragmentos da aeronave podem ser encontrados longe do ponto onde ocorreu a queda.
A investigação é conduzida pelo conselho norte-americano, com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA).
Copilota de 20 anos era filha de brasileiros
Nathalia Gadelha, de 20 anos, foi identificada pelas autoridades dos EUA como a copilota do jato. Ela obteve a licença para pilotar ainda no ensino médio e havia nove meses que trabalhava como pilota comercial.
A jovem cresceu no condado de Palm Beach e já havia sido destaque na mídia local quando obteve sua licença de piloto privado com apenas 17 anos, em outubro de 2023, antes mesmo de ter sua carteira de motorista.
O jato que caiu na Flórida havia decolado de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. O piloto era o capitão Jeff Gregory, de 55 anos, que também morreu.
Segundo informações do New York Post, confirmadas pela mãe de Nathalia, Camila Gadelha Corteleti, e pelo padrasto, Thiago Corteleti, é dela a voz que pediu socorro em um áudio do controle de tráfego aéreo, divulgado após o acidente fatal. Ouça:
O diálogo de Nathalia com a torre de controle:
- Pilota: “Declarando emergência, 722 Bravo Delta. Estamos em condição de velocidade excessiva, com queda de 20 mil pés por minuto”.
- Torre de controle: “Compreendido. Avise-me do que precisar”.
- Torre de controle (sem retorno da aeronave): “November 2 Bravo Delta, estou aqui com você. Fale comigo”.
- Pilota: “Estamos descendo a 22 mil pés e estamos inclinando a 60 graus”.
- Pilota (gritos ao fundo): “Nós vamos morrer. Nós vamos morrer. Vamos bater no solo. Olhe para fora”.
- Pilota: “Estamos sem tempo”.
- Torre de controle: “Você me ouve? November 2 Bravo Delta, aqui é Miami”. (A transmissão foi cortada em seguida)
Família inteira morreu em acidente
Entre as nove vítimas, estava uma família de quatro pessoas do Texas, que viajava acompanhada da babá e de dois amigos próximos.
O pai era o empresário de tecnologia Adam Robinson, de 44 anos, e a mãe, Helen Sharp. Os filhos do casal eram Emma, de 4 anos, e Charlie, de 2.
A babá foi identificada como Anita Maria Apellido Cetina. E o casal de amigos era composto por Rachael Reed e Charmi Fehr.
Em uma declaração conjunta divulgada pelo familiar Anthony Robinson, as famílias Robinson, Fehr e Cetina prestaram homenagem às vítimas. O comunicado destacou a relação de Adam e Helen com os filhos, a amizade de Charmi e Rachael e a dedicação de Anita às crianças.
“Adam e Helen eram pais dedicados, e Emma, de 4 anos, e Charlie, de 2, eram a luz de suas vidas. Helen e Adam viveram um amor que durará para sempre”, escreveram os familiares.
Sobre Charmi e Rachael, a nota afirmou que os dois eram “cheios de alegria e espírito aventureiro” e amavam intensamente as pessoas próximas.
A babá Anita também foi lembrada pela família. “Anita Maria cuidou de Emma e Charlie com ternura e devoção, e era verdadeiramente parte da família. Ela nos deixou um legado de amor e devoção incondicionais”, acrescentou o comunicado.
























