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"ONU não tem coragem de criar o Estado Palestino", diz Lula em NY

Lula recebeu prêmio da Fundação Bill Gates e criticou a governança mundial, frisando que a ONU perdeu poder

Repórter de Mundo23/09/2024 23:01, atualizado 24/09/2024 01:28
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Ricardo Stuckert / PR
Presidente da Fundação Bill e Melinda Gates, Bill Gates e o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de Premiação anual da iniciativa Goalkeepers, organizada pela Fundação Bill e Melinda Gates, no Jazz at Lincoln Center. Nova York - Estados Unidos.

Nova York Na véspera de discursar na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a instituição e a governança mundial. “O mundo está desgovernado. Ninguém respeita ninguém”, disse Lula nesta segunda-feira (23/9), em Nova York, Estados Unidos, ao receber uma premiação da Fundação Bill and Melinda Gates, por políticas de combate à fome e à pobreza.

Lula salientou que, quando foi criada, tinha 51 países membros e agora tem 193. “Significa que mais de 140 não participaram da criação da ONU”.

Em seguida, ele afirmou que a ONU hoje “não tem coragem de criar o Estado Palestino”. A Palestina é reconhecida como Estado por mais de 140 países, entre eles o Brasil, mas não possui atualmente um assento na ONU.

“Ninguém mais respeita uma decisão da ONU. Então, os pobres não tem mais uma representação. E a ONU poderia ser essa referência, poderia conquistar essa credibilidade”, prosseguiu o presidente.

Reforma da governança mundial

Lula também e defendeu uma ampliação do Conselho de Segurança da ONU, dedicado a mediar e resolver conflitos internacionais, com a inclusão de representantes de países do Sul Global, como aqueles da África e da América Latina.

Seguindo na toada de críticas à governança mundial, o presidente disse que “não faria sentido a guerra da Rússia contra a Ucrânia” nem “o genocídio na Faixa de Gaza”. Ele ainda citou outros conflitos como a Guerra do Iraque como exemplos de eventos que poderiam ter sido evitados se a ONU “cumprisse com a sua tarefa de ser uma espécie de governança mundial”.

Ele ainda criticou o descumprimento de acordos mundiais, a exemplo do Protocolo de Kyoto e do Acordo de Paris.